Publicado 22/06/2026 14:03

A associação patronal do setor pesqueiro pede a Bruxelas que reformule o regulamento do Mediterrâneo para evitar novos cortes

A Comissão espera apresentar uma proposta no início do outono com o objetivo de introduzir melhorias no sistema atual

Archivo - Arquivo - O secretário-geral da Cepesca, Javier Garat
CEPESCA - Arquivo

BRUXELAS, 22 jun. (EUROPA PRESS) -

A Confederação Espanhola de Pesca (Cepesca) e a associação patronal pesqueira europeia (Europeche) exigiram nesta segunda-feira à Comissão Europeia uma reforma “urgente” do regulamento do Mediterrâneo Ocidental e alertaram que o setor não pode arcar com novos cortes nos dias de pesca, uma vez que, segundo lamentam, a atividade tenha diminuído 44% e o emprego 50% desde a entrada em vigor da norma em 2019.

O setor denunciou o impacto que a regulamentação vigente está causando na frota mediterrânea e reivindica a modificação de alguns de seus elementos centrais, entre eles o mecanismo que vincula as possibilidades de pesca à situação das espécies mais vulneráveis, ao considerar que esse mecanismo pode acabar impondo restrições “inaceitáveis” para o conjunto da atividade.

“Temos que evitar a todo custo nos depararmos, em novembro, com uma proposta da Comissão Europeia na qual se dirá que só poderemos pescar nove, dez ou quinze dias, dependendo de qual espécie estiver em pior situação”, afirmou o presidente da Europeche, Javier Garat, em coletiva de imprensa conjunta com a presidente da Comissão de Pesca do Parlamento Europeu, Carmen Crespo, e o vice-presidente da Cepesca, José María Gallart, no Parlamento Europeu.

Nesse sentido, a eurodeputada do Partido Popular propôs estabelecer uma média de 180 dias de pesca por ano por embarcação e limitar a 20% as reduções que possam ser aprovadas nas possibilidades de pesca. “Vocês conhecem alguma atividade econômica em que haja uma redução drástica de 40% ou 50%?”, questionou ela, após lembrar que os dias de pesca passaram de 230 em 2019 para 130 em 2026.

Crespo sustentou ainda que o regulamento atual está “desconectado da realidade”, ao considerar que os relatórios científicos mostram uma recuperação dos bancos de pesca do Mediterrâneo graças às medidas de seletividade introduzidas pelo setor, entre elas novas malhas ou as chamadas “portas voadoras”, que reduzem o impacto sobre o fundo do mar e o consumo de combustível.

PLANAS TAMBÉM PEDE A REFORMA DO REGULAMENTO

O ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação, Luis Planas, também exigiu de Bruxelas uma reforma do regulamento do Mediterrâneo Ocidental, que considera “absolutamente necessária”, ao mesmo tempo em que repreendeu a Comissão por continuar a não reconhecer “os imensos esforços” realizados pela frota nem os “magníficos resultados” obtidos em matéria de sustentabilidade.

“O tema mais substancial para nós chama-se Mediterrâneo. Porque, de fato, é lá que temos um problema de fundo. A Comissão continua sem reconhecer os imensos esforços e, sobretudo, os magníficos resultados que foram obtidos”, afirmou ao chegar ao Conselho de Agricultura e Pesca da UE, nesta segunda-feira, em Luxemburgo.

O ministro explicou que a Espanha está trabalhando com a França e a Itália para articular uma posição comum de vista às próximas negociações sobre o Mediterrâneo, uma zona de pesca que ele definiu como a “mais vulnerável” para a Espanha.

“Temos que defendê-la porque nisso está em jogo não apenas um conceito produtivo, mas também um modo de vida e uma realidade do nosso mundo mediterrâneo”, concluiu.

A COMISSÃO PROMETE UMA PROPOSTA NO OUTONO

Paralelamente, o comissário europeu de Pesca e Oceanos, Kostas Kadis, confirmou que Bruxelas deu início ao processo de revisão da regulamentação da pesca no Mediterrâneo, incluindo o plano para o Mediterrâneo Ocidental, e adiantou que “espera ter uma proposta disponível no início do outono”.

Isso foi confirmado pelo político cipriota durante um dos debates realizados pelos ministros responsáveis pelo setor sobre as oportunidades de pesca para 2027, no qual defendeu que as futuras decisões devem basear-se nos “melhores pareceres científicos” e em um equilíbrio entre a sustentabilidade ambiental e a viabilidade econômica e social do setor.

“Precisamos proteger as populações das quais dependem nossas frotas, mas também garantir um equilíbrio com os fatores sociais e econômicos”, destacou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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