Publicado 10/02/2026 10:24

AMP.- O Parlamento Europeu aprova as salvaguardas agrícolas destinadas a salvar o acordo com o Mercosul

Sessão plenária do Parlamento Europeu
ALAIN ROLLAND

BRUXELAS 10 fev. (EUROPA PRESS) -

A plenária do Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira as cláusulas de salvaguarda agrícola acordadas com os 27 e com Bruxelas como condição para desbloquear a assinatura do acordo de livre comércio com os países do Mercosul, um pacto que poderá entrar em vigor provisoriamente nos próximos meses, se assim o decidir o Executivo comunitário, após ter sido assinado em janeiro passado.

As medidas destinam-se a reforçar a proteção do campo europeu contra potenciais distorções graves causadas pela abertura do mercado do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) em setores como aves, carne bovina, ovos, citrinos e açúcar.

Este quadro estabelece limites específicos para que a Comissão Europeia possa iniciar investigações — e ativar medidas específicas num prazo máximo de 21 dias — caso seja detetado um forte impacto em produtos agrícolas sensíveis europeus.

Em dezembro passado, o Conselho e o Parlamento concordaram em fixar esses limites em 8%, mas eles acabaram sendo reduzidos para 5% — como defendia o Parlamento Europeu inicialmente — para satisfazer as demandas da Itália, cujo governo impediu a assinatura ao se juntar ao bloqueio da França e da Polônia. Após conseguir essas mudanças, o governo de Giorgia Meloni retirou seu veto, o que permitiu reativar o processo para assinar o acordo em janeiro. Assim, Bruxelas agirá quando as importações de produtos sensíveis aumentarem em média 5% e os preços caírem na mesma porcentagem em um período de três anos (em comparação com os 10% propostos inicialmente pela Comissão).

Nesse sentido, tanto as autoridades nacionais como as pessoas ou empresas representativas do setor poderão solicitar que os serviços comunitários iniciem uma investigação em caso de risco de prejuízo grave para um setor. Além disso, o Executivo comunitário deverá apresentar pelo menos um relatório semestral ao Parlamento Europeu sobre a avaliação do impacto das importações de produtos sensíveis.

Na ausência de aprovação formal das salvaguardas pelos 27 Estados-Membros — último trâmite antes da sua publicação no Jornal Oficial da UE e da entrada em vigor do mecanismo —, as medidas poderão ser ativadas a partir da aplicação provisória do acordo provisório.

PROTEÇÃO “REAL E EFETIVA” O Partido Popular, cujo eurodeputado Gabriel Mato é o relator do aval do Parlamento Europeu, comemorou após a votação que as salvaguardas garantirão “uma proteção real e efetiva para os agricultores” assim que o novo regime comercial com os países do Cone Sul entrar em vigor. Também destacou em um comunicado que se trata de uma medida “fundamental”, porque “permite agir antes que o dano ao mercado seja irreversível”. “As salvaguardas reforçam a vigilância do mercado, introduzem critérios claros e objetivos para detectar perturbações e permitem uma ação mais rápida no caso de produtos sensíveis quando houver indícios de prejuízo. Proporcionarão estabilidade e previsibilidade aos agricultores, ao mesmo tempo que preservam o equilíbrio geral do acordo”, apontou Mato. A eurodeputada do PNV, Oihane Agirregoitia, por sua vez, destacou que “é um mecanismo concebido para proteger o primeiro setor e reforçar o controlo dos produtos, que permitirá à União Europeia agir mais rapidamente em caso de perturbações”. “É um exemplo claro de que estamos dispostos a tomar todas as medidas necessárias para que a liberalização comercial não se faça à custa do setor agrícola europeu”, reforçou.

O relator-sombra para o Mercosul e negociador das salvaguardas pelos Socialistas e Democratas (S&D), Francisco Assis, lembrou que as salvaguardas visam oferecer garantias “sólidas” para o campo “sempre que o acordo for aplicado”, ao mesmo tempo que defendeu que a União “levou a sério” as preocupações expressas pelos agricultores.

Por outro lado, o Vox criticou a adoção destas medidas de apoio ao campo, considerando que são “papel molhado”, porque não fazem parte do acordo com o Mercosul, as considera insuficientes e vê no seu desenvolvimento um “labirinto burocrático impossível”. “As salvaguardas não são uma proteção, são um álibi. Não são ativadas automaticamente, chegam quando o dano já está feito e não corrigem a concorrência desleal”, criticou, neste sentido, a eurodeputada do Vox na comissão da Agricultura, Mireia Borrás.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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