Ana López García - Europa Press - Arquivo
BRUXELAS 30 abr. (EUROPA PRESS) -
Os países da UE realizarão uma “reunião de alto nível” no próximo mês de novembro em Dublin para abordar a crise habitacional na União, no âmbito da cúpula informal que a Irlanda — próximo país a ocupar a presidência de turno do Conselho — está preparando, diante do aumento dos preços e da falta de acesso à moradia nas principais capitais europeias.
Isso foi confirmado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, na coletiva de imprensa após a reunião com a aliança de prefeitos europeus “Mayors for Housing”, realizada em Bruxelas, centrada na crescente pressão sobre o mercado imobiliário e seus efeitos sociais e econômicos.
O socialista português destacou que a habitação é “um dos problemas mais urgentes e complexos para milhões de europeus” e alertou que sua falta de acessibilidade está “no centro da desafetação dos cidadãos em relação às instituições democráticas”.
Costa insistiu que a escassez de moradia está, além disso, “reduzindo a mobilidade laboral, afetando a produtividade e a demografia”, além de agravar a vulnerabilidade de determinados grupos, razão pela qual defendeu a manutenção dessa questão na agenda política da UE, bem como no âmbito das negociações sobre o próximo orçamento comunitário de longo prazo.
Embora tenha especificado que a competência em matéria de habitação cabe principalmente aos Estados-Membros, defendeu uma “resposta coordenada” entre os diferentes níveis de governo e assinalou que a futura Lei da Habitação Acessível que a Comissão está a preparar deverá oferecer ferramentas às autoridades para adaptar as políticas a cada contexto, incluindo questões como os arrendamentos de curta duração ou a especulação.
OS PREFEITOS PEDEM MAIS REGULAMENTAÇÃO E RECURSOS
Por sua vez, o prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, que participou do encontro em representação da aliança “Mayors for Housing” ao lado de seus homólogos de Roma e Paris, Roberto Gualtieri e Emmanuel Grégoire, alertou que a crise habitacional está colocando em questão direitos fundamentais na UE, como a mobilidade ou a possibilidade de permanecer na própria cidade.
“Hoje, o que está em jogo na Europa é o direito de permanecer na sua cidade e no seu bairro”, afirmou, antes de alertar que o aumento do preço do aluguel e da moradia está expulsando “os setores mais vulneráveis”, mas também “os jovens” e “as classes médias urbanas”.
Collboni reivindicou uma “nova abordagem” europeia que combine regulamentação e financiamento e defendeu a necessidade de desenvolver instrumentos como as “zonas de mercado tensionado”, que permitam justificar medidas extraordinárias quando o custo da moradia ultrapassar determinados limites de esforço econômico para as famílias.
Da mesma forma, ela valorizou o fato de as instituições europeias terem começado a incorporar a habitação entre suas prioridades, com iniciativas como a futura legislação em preparação, embora tenha insistido na necessidade de reforçar esses esforços no próximo quadro financeiro plurianual para dar resposta a uma crise que, em sua opinião, se agravou nos últimos anos devido ao aumento do custo de vida.
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