Publicado 09/02/2026 16:58

Lagarde (BCE) pede avançar com o euro digital e insiste que a inflação se estabilizará em 2%

05 de fevereiro de 2026, Hesse, Frankfurt_Main: Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), fala na coletiva de imprensa após a reunião do Conselho do BCE. Foto: Florian Wiegand/dpa
Florian Wiegand/dpa

BRUXELAS 9 fev. (EUROPA PRESS) -

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, pediu nesta segunda-feira que se avance na tramitação do euro digital, considerando que ele reforçará a autonomia estratégica da União no âmbito dos pagamentos, e insistiu que a inflação da zona do euro se estabilizará “de forma sustentável” em 2% no médio prazo, em linha com o objetivo de estabilidade de preços da instituição.

Durante o debate sobre o relatório anual do BCE perante o plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), Lagarde sublinhou que, apesar de a inflação anual se ter situado em 1,7% neste mês de janeiro, o banco central confia que a evolução dos preços continuará se aproximando de sua meta, já que, de acordo com as últimas projeções, a taxa geral ficará em 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2% em 2028.

“Esperamos que a inflação se estabilize de forma sustentável na nossa meta de 2% a médio prazo”, afirmou, antes de recordar que o Conselho do BCE decidiu, na sua última reunião, manter as taxas de juro inalteradas.

Nesse sentido, ele insistiu que o BCE continuará aplicando uma abordagem “dependente dos dados” e “decisão por decisão”, com base nas perspectivas de inflação, na dinâmica subjacente e na transmissão da política monetária, em um ambiente marcado pela incerteza geopolítica e pela fragmentação das cadeias de abastecimento.

“Estamos operando em um ambiente global volátil, marcado por tensões geopolíticas elevadas e uma incerteza política persistente. Esses acontecimentos estão afetando os fluxos comerciais, a segurança energética e as dependências estratégicas”, destacou.

Perante esta situação, defendeu que a estabilidade dos preços é “uma condição necessária para o crescimento sustentável, a competitividade e o investimento”, sublinhando que, neste contexto, a Europa precisa de “âncoras internas fortes de estabilidade e resiliência” para fazer face a um ambiente internacional cada vez mais fragmentado.

Além disso, sublinhou que o BCE está “muito consciente” do impacto da inflação nos lares europeus e defendeu que a sua prioridade é garantir a estabilidade dos preços e preservar a credibilidade do euro, uma moeda que — recordou — é apoiada por uma ampla maioria dos cidadãos da União. IMPULSO AO EURO DIGITAL

Além disso, a responsável máxima do banco central instou o Parlamento Europeu, na sua qualidade de colegislador, a acelerar o processo de tramitação do euro digital, considerando que esta iniciativa reforçará a autonomia estratégica da União no domínio dos pagamentos e reduzirá as dependências externas.

“Será baseado em uma infraestrutura totalmente europeia, evitando uma dependência excessiva de fornecedores estrangeiros para sistemas de pagamento que são críticos para o funcionamento da nossa economia”, defendeu.

A presidente do BCE acrescentou que a nova ferramenta garantirá “o mais alto nível de privacidade”, uma vez que “por definição, o banco central não terá acesso aos dados pessoais” e permitirá efetuar pagamentos sem conexão “com uma privacidade semelhante à do dinheiro em espécie”.

Além disso, defendeu que o euro digital contribuirá para reduzir as comissões para os comerciantes, especialmente os de menor dimensão, e facilitará que os fornecedores europeus de serviços de pagamento ampliem o alcance das suas soluções em toda a zona euro. “O DINHEIRO CONTINUARÁ A SER MOEDA LEGAL”

Paralelamente, reiterou o apoio do BCE à proposta regulamentar destinada a garantir que o dinheiro em numerário continue a ser acessível e aceite em todos os Estados-Membros da zona euro, insistindo que a versão digital foi concebida como um complemento e não como um substituto do dinheiro em numerário. “O dinheiro em numerário é e continuará a ser moeda corrente legal. Mas num mundo cada vez mais digitalizado, precisamos de poder pagar em todas as circunstâncias. Se não estabelecermos agora um quadro europeu claro, continuaremos a depender de fornecedores não europeus, e isso não é soberania”, afirmou após as intervenções dos eurodeputados. UNIÃO DE POUPANÇAS E INVESTIMENTOS

Lagarde também destacou que a resiliência e a competitividade da economia europeia dependem igualmente do avanço na união de poupanças e investimentos e de uma maior integração dos mercados de capitais, com o objetivo de canalizar de forma mais eficiente o elevado volume de poupanças europeias para projetos produtivos.

Nesse sentido, alertou que a resiliência e a competitividade da Europa também dependem do fortalecimento do mercado único através da redução de barreiras e fragmentação, bem como do impulso à inovação e à melhoria da produtividade.

Durante sua intervenção, Lagarde também agradeceu o apoio do Parlamento Europeu à autonomia do BCE, que classificou como “essencial” para cumprir seu mandato de estabilidade de preços, especialmente em um momento em que o papel dos bancos centrais “está sendo questionado em algumas partes do mundo”.

No entanto, sublinhou que “independência não significa isolamento” e que deve ser acompanhada por uma prestação de contas constante perante o Parlamento Europeu, através de comparecimentos periódicos, trocas escritas e apresentação do relatório anual.

“O euro é uma âncora de estabilidade e um símbolo poderoso do que a Europa pode alcançar quando trabalhamos juntos”, concluiu a presidente do BCE, reiterando o compromisso da instituição com a estabilidade dos preços e com uma Europa “mais forte e resiliente” num ambiente global incerto. POSIÇÃO DA COMISSÃO EUROPEIA

Por seu lado, o comissário da Economia e Produtividade, Valdis Dombrovskis, apoiou a previsão do BCE e salientou que a economia da zona euro continuará a crescer de forma moderada, apoiada na força do mercado de trabalho e na melhoria das condições de financiamento. “A curto prazo, as perspetivas são encorajadoras”, afirmou.

No entanto, alertou que a UE enfrenta um ambiente mais adverso, marcado pelo aumento do protecionismo e maiores riscos para a segurança econômica. “Precisamos de um sistema de pagamentos mais autônomo na Europa, com soluções interoperáveis e resilientes”, defendeu, sublinhando que reforçar o papel internacional do euro também passa pela integração dos mercados financeiros e pela redução das dependências estratégicas.

Em relação ao euro digital, Dombrovskis considerou que o projeto é “mais importante do que nunca” no atual contexto geopolítico e comemorou os avanços em seu processamento, em linha com o objetivo de fortalecer a resiliência do sistema econômico europeu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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