Publicado 02/07/2026 21:57

AMP. – Flávio Bolsonaro oferece a Trump vantagens para empresas dos EUA e restrições ao sistema de pagamentos Pix

Propõe que o Brasil “se liberte das amarras” do bloco comercial Mercosul para fortalecer o comércio bilateral com os EUA

Pede à Casa Branca que adie a imposição de uma tarifa de 25% até depois das eleições, o que Lula classifica como “ato de traição à pátria”

Archivo - Arquivo - 28 de março de 2026, Grapevine, Texas, EUA: Flavio Bolsonaro, senador brasileiro, chega para discursar no terceiro dia da Conferência CPAC no Gaylord Texan Resort & Convention Center, em Grapevine, TX, em 26 de março de 2026.
Europa Press/Contacto/Lev Radin - Arquivo

Propõe que o Brasil “se liberte das amarras” do bloco comercial Mercosul para fortalecer o comércio bilateral com os EUA

Pede à Casa Branca que adie a imposição de uma tarifa de 25% até depois das eleições, o que Lula classifica como “ato de traição à pátria”

MADRID, 3 jul. (EUROPA PRESS) -

O senador e pré-candidato de extrema direita à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, enviou ao governo dos Estados Unidos um documento que oferece ao governo de Donald Trump vantagens comerciais, como uma redução de impostos para empresas de cartões de crédito e um compromisso de que o sistema de pagamentos Pix não se vincule a outros “não ocidentais”.

O gabinete do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou ao gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) um dossiê no qual defende o sistema de pagamentos eletrônicos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, como um marco do governo de seu pai, conforme noticiado pelo jornal brasileiro “Folha”.

Ao mesmo tempo, ele negou que o referido sistema crie um conflito de interesses, como observou o governo Trump, comparando o Pix à ferramenta de pagamento FedNow do Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed).

Nesse contexto, Flávio Bolsonaro propôs um “compromisso legislativo” para que o Pix não se vincule a sistemas de pagamentos transfronteiriços “não ocidentais”, aludindo assim à China. Atualmente, o sistema de pagamentos instantâneos não processa transferências internacionais, e o documento não esclarece como essa restrição aos sistemas estrangeiros funcionaria.

Além disso, propôs reduzir a “carga regulatória e tributária” sobre os cartões de crédito, um mercado dominado pelas empresas americanas Visa e Mastercard, alegando que tal carga “freia a concorrência em vez de estimulá-la”. “Reduzir essa carga (...) ampliaria as opções dos consumidores, diminuiria o custo das transações voluntárias e apoiaria o crescimento econômico”, alega o documento em questão.

A Casa Branca já manifestou reclamações em várias ocasiões sobre o Pix, alegando que ele prejudica injustamente empresas financeiras e de tecnologia americanas, como a Visa e a Apple — premissa que constituiu um dos argumentos para sustentar a investigação comercial de Washington contra Brasília.

De fato, como resultado dessas investigações do gabinete do USTR, o Departamento de Comércio propôs um aumento adicional de 25% nas tarifas sobre as exportações brasileiras como retaliação às supostas dificuldades que o governo de Lula impõe ao comércio, bem como por outras questões, como o desmatamento ilegal, a pirataria ou a corrupção.

Essa medida também é mencionada no documento enviado a Washington pelo gabinete de Flávio Bolsonaro, que argumenta que aplicar a nova tarifa é um erro político que dará uma “vitória política” ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, contra quem o senador de extrema direita pretende concorrer nas eleições que serão realizadas este ano. Por isso, ele solicitou à Casa Branca que adie essa decisão até, pelo menos, depois das eleições.

PROPÕE QUE O BRASIL “SE LIBERTE DAS AMARRAS” DO MERCOSUL

Por outro lado, o senador de extrema direita propôs uma “busca enérgica” por acordos comerciais que aumentem o comércio e o investimento entre os dois países.

Nesse sentido, ele levantou a possibilidade de o Brasil “se libertar das amarras” do Mercosul, diante das restrições impostas pelo bloco comercial às negociações bilaterais.

Flávio retoma, assim, uma estratégia já impulsionada anteriormente pelo atual presidente da Argentina, Javier Milei, e se configura como herdeiro da retórica crítica de seu pai, Jair Bolsonaro, que também promoveu, durante seu mandato (2019-2023), uma agenda contrária à da aliança.

LULA DENUNCIA “MAIS UM ATO DE TRAIÇÃO À PÁTRIA” DOS BOLSONAROS

Em resposta às propostas do pré-candidato às eleições presidenciais, o presidente Lula classificou como “inaceitável que a família Bolsonaro, com sua submissão a interesses estrangeiros, pretenda submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”, o que, segundo ele, “fica patente no documento enviado hoje por um de seus membros ao governo dos Estados Unidos”, evitando citar o nome de seu possível rival eleitoral.

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente de esquerda criticou que “defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina, que acaba de assinar um acordo histórico com a União Europeia, é mais um ataque aos interesses do povo brasileiro”.

“Como se não bastasse, pretendem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista brasileira e não vamos abandoná-lo”, rebateu ele em relação ao sistema de pagamentos instantâneos.

No entanto, foi o pedido de Bolsonaro para adiar o chamado ‘aumento tarifário’ dos EUA até depois das eleições brasileiras que mais chamou a atenção na resposta de Lula, que classificou tal solicitação como “mais um ato de traição à pátria”.

“Nunca houve nem há qualquer justificativa para os aumentos de tarifas, nem agora nem no futuro”, afirmou ele, antes de acrescentar que “o mais absurdo é saber que tudo isso foi impulsionado pela própria família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento das tarifas contra os produtos brasileiros”.

O chefe do Palácio do Planalto já havia acusado, no início de junho, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de serem responsáveis pela intenção do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas de 25% às exportações do país, classificando-os, já naquela época, como “traidores da pátria”.

Lula respondia assim à visita que Eduardo e Flávio Bolsonaro fizeram no final de maio à Casa Branca, quando também pediram a Trump que as duas maiores organizações criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho — fossem classificadas como terroristas, conforme foi confirmado pouco depois.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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