Publicado 29/04/2026 08:45

Bruxelas permitirá que os países compensem 70% do sobrecusto energético para os setores mais afetados

O quadro permanecerá em vigor até o final do ano e se concentra em atividades como agricultura, transporte e pesca

Archivo - Arquivo - A vice-presidente para a Transição Limpa, Justa e Competitiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, numa coletiva de imprensa.
VALENTINE ZELER / EUROPEAN COMMISSION - Arquivo

BRUXELAS, 29 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia aprovou nesta quarta-feira um novo quadro temporário de auxílios estatais para permitir que os governos da UE compensem o impacto econômico da crise no Oriente Médio, com medidas que incluem subsídios de até 70% dos custos adicionais com energia e matérias-primas em setores como agricultura, transporte ou pesca.

O instrumento, denominado Quadro Temporário de Auxílios Estatais para a Crise no Oriente Médio, estará em vigor até 31 de dezembro deste ano e visa dar uma resposta imediata ao aumento dos preços da eletricidade, do gás e de alguns insumos, o que, segundo explica o Executivo comunitário, está pressionando os custos de produção e ameaçando a viabilidade de inúmeras atividades econômicas.

“O impacto sobre nossos cidadãos e empresas exige respostas imediatas, que devem ser proporcionadas e proativas”, defendeu em coletiva de imprensa a vice-presidente da Comissão responsável pela Concorrência, Teresa Ribera, que destacou que o quadro permite apoiar as empresas mais afetadas “preservando, ao mesmo tempo, a igualdade de condições no mercado único”.

Nesse sentido, as medidas visam especialmente setores com forte exposição a esses aumentos, como a produção agrícola — afetada especialmente pelo encarecimento dos fertilizantes —, o transporte rodoviário, ferroviário e marítimo, e a pesca, onde, aponta a Comissão, o aumento das despesas operacionais pode comprometer diretamente a continuidade da atividade.

A aviação, por outro lado, não figura entre os setores incluídos neste regime, uma vez que, segundo esclarece o Executivo comunitário, o impacto do aumento dos preços não é comparável ao de outras atividades, em parte porque muitas companhias aéreas contam com coberturas de combustível de curto prazo.

Bruxelas considera, além disso, que o setor já dispõe de instrumentos específicos para fazer face a possíveis perturbações, como a possibilidade de impor obrigações de serviço público em rotas essenciais para garantir a conectividade.

Na prática, os auxílios permitirão aos Estados compensar parte do aumento registrado desde o início da crise, calculado com base na diferença entre os preços atuais e os níveis anteriores, e limitado a uma porcentagem do consumo de cada empresa.

Além disso, Bruxelas introduz uma opção simplificada para acessar os subsídios, que permitirá aos países calcular os valores com base em critérios como o tamanho e o tipo de atividade das empresas, bem como estimativas gerais do uso de combustível no setor ou outros indicadores, em vez de exigir de cada beneficiário provas detalhadas de seu consumo real, com um máximo de 50.000 euros por beneficiário.

A partir desse montante, no entanto, a Comissão exigirá que os auxílios sejam justificados com base nos custos efetivamente suportados, de modo a que o aumento registrado possa ser comprovado e a garantir que a compensação não exceda 70% desse aumento.

MAIS FLEXIBILIDADE PARA A INDÚSTRIA ELETROINTENSIVA

O novo quadro introduz ajustes nas regras de auxílios já existentes para permitir maior apoio às indústrias intensivas em energia. Em particular, a intensidade máxima de auxílio para compensar os custos de energia elétrica em determinados setores é elevada de 50% para 70%.

Essas medidas poderão cobrir até 50% do consumo de energia elétrica das empresas beneficiárias, sem exigir compromissos adicionais de descarbonização durante a vigência do instrumento, com o objetivo de aliviar a pressão no curto prazo.

A regulamentação também permitirá, de forma temporária, que algumas indústrias eletrointensivas acumulem esse tipo de auxílio com compensações pelos custos indiretos do regime europeu de direitos de emissão, uma combinação que até agora era mantida separada nos diferentes marcos de apoio, conforme explica a Comissão.

“Buscamos o equilíbrio entre o apoio de curto prazo e a transformação de longo prazo”, destacou Ribera, que insistiu que essas medidas visam ajudar a indústria a “superar o impacto imediato” sem desviar a trajetória de descarbonização.

RISCO PARA A ATIVIDADE ECONÔMICA E AS CADEIAS DE ABASTECIMENTO

A iniciativa, explica a Comissão Europeia, responde à escalada dos preços da energia provocada pela instabilidade no Oriente Médio desde o mês de fevereiro passado, que disparou o custo do petróleo, do gás e dos fertilizantes e gerou uma forte volatilidade nos mercados.

De acordo com sua análise, os preços do gás chegaram a aumentar cerca de 85% e os do petróleo mais de 50% nas primeiras semanas da crise, afetando diretamente a eletricidade e os setores com alta dependência energética.

Este aumento de custos, aliado às perturbações nas cadeias de abastecimento, está pressionando a rentabilidade de setores com alta dependência energética, como o transporte ou a pesca, onde os gastos com combustível representam uma parte relevante da atividade, segundo a Comissão.

No transporte rodoviário, por exemplo, onde as margens costumam situar-se entre 2% e 3%, o aumento do preço do diesel pode elevar as despesas operacionais em mais de 7%, levando muitas empresas a prejuízos.

Na pesca, o preço do combustível já ultrapassa o limiar de rentabilidade de boa parte da frota europeia, o que poderia resultar na paralisação das atividades se os níveis atuais se mantiverem.

TRAMITAÇÃO EM QUESTÃO DE SEMANAS

Os auxílios deverão ser notificados à Comissão para aprovação, em um processo que pode se estender por até dois meses após a apresentação das informações completas, embora Bruxelas espere poder “agilizar” sua tramitação, como em crises anteriores, e dar luz verde em questão de semanas.

Uma vez autorizados os programas, caberá aos Estados-Membros implementá-los por meio de esquemas nacionais, sem necessidade de notificação individual por parte de cada empresa, e gerenciar a seleção dos beneficiários e o desembolso dos fundos.

O quadro prevê ainda a possibilidade de conceder adiantamentos, com a obrigação de verificar posteriormente se as condições foram cumpridas e, se for o caso, recuperar os montantes indevidamente pagos.

O Executivo comunitário ressalta que essas medidas são temporárias e complementares às regras habituais de auxílios estatais, ao mesmo tempo em que insiste que a transição energética continua sendo a solução estrutural para reduzir a vulnerabilidade da economia europeia diante de crises externas.

“A resposta estrutural passa por refletir sobre como podemos acelerar a segurança energética por meio de uma transição rápida para soluções próprias, limpas e acessíveis”, destacou Ribera.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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