Publicado 06/03/2026 13:54

A AIE descarta escassez de petróleo apesar do conflito no Oriente Médio e considera prematuro liberar reservas

Archivo - Arquivo - 24 de abril de 2025, Reino Unido, Londres: O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, faz o discurso de abertura durante a Cúpula Internacional, organizada pela AIE e pelo governo do Reino Unido. Foto:
Justin Tallis/PA Wire/dpa - Arquivo

BRUXELAS 6 mar. (EUROPA PRESS) -

O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, garantiu que não há escassez de petróleo nos mercados globais, apesar das tensões decorrentes da guerra no Oriente Médio, e descartou, por enquanto, uma liberação coordenada de reservas estratégicas, considerando que a situação responde principalmente a problemas logísticos.

“Há muito petróleo no mercado”, afirmou durante uma visita a Bruxelas, onde se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o colégio de comissários para analisar a evolução dos mercados e os desafios energéticos que a UE enfrenta.

O responsável pela AIE explicou que o recente aumento do preço do petróleo bruto — que se situa em torno de 80 dólares por barril — está ligado principalmente à atual crise geopolítica e às perturbações no transporte do petróleo bruto, mais do que a um problema de oferta. “Não há escassez de petróleo a nível global. O problema é a desorganização logística, e isso está a criar dificuldades para alguns países”, afirmou Birol, acrescentando que a AIE mantém contactos com governos de países produtores e consumidores para tentar coordenar respostas às atuais perturbações nos mercados.

Embora tenha insistido que “todas as opções estão em aberto”, ele ressaltou que, por enquanto, não se prevê uma liberação coordenada de reservas estratégicas por parte dos países membros, considerando que o mercado enfrenta uma perturbação temporária e não uma crise de abastecimento. COMPETÊNCIA PELO GÁS SE A CRISE SE PROLONGAR

O responsável pela agência alertou, no entanto, que a situação poderia se complicar no caso do gás se o conflito se prolongar. Nesse cenário, a Europa poderia ser obrigada a competir com a Ásia pelo fluxo disponível, uma vez que grande parte do gás proveniente do Oriente Médio é direcionado aos mercados asiáticos. "Se a crise continuar assim, os compradores asiáticos e europeus terão que competir por um GNL (gás natural liquefeito) que será cada vez mais escasso. Esse será o desafio para os países europeus se a crise continuar nos próximos dias ou semanas”, enfatizou. De qualquer forma, Birol destacou que, além das tensões atuais, o mercado mundial de gás natural liquefeito se prepara para um forte aumento da oferta.

“Esperamos que nos próximos cinco anos chegue ao mercado uma enorme quantidade de GNL”, disse ele, explicando que está prevista a incorporação de cerca de 300 bilhões de metros cúbicos adicionais graças a novos projetos em países como Estados Unidos, Canadá, Catar ou Austrália.

Segundo ele, essa expansão poderia exercer pressão para baixo sobre os preços e aumentar a flexibilidade do mercado energético mundial, já que grande parte desse novo fornecimento será adaptável a diferentes destinos.

Durante sua visita a Bruxelas, o diretor da AIE também abordou os desafios que a Europa enfrenta em matéria de fornecimento e preços da eletricidade, e defendeu que os países devem reforçar sua segurança de abastecimento através do desenvolvimento de fontes próprias, especialmente as renováveis, e do impulso da energia nuclear.

“As energias renováveis e a energia nuclear devem ser os pilares do sistema elétrico europeu”, afirmou, embora tenha reconhecido que o gás continuará a desempenhar um papel relevante na geração de eletricidade durante os próximos anos. DESCARTA RECORRER AO GÁS RUSO

Birol também se referiu ao debate sobre o possível retorno do gás russo ao mercado europeu devido às tensões atuais, uma opção que rejeitou por considerar que “um dos erros históricos” da Europa foi a forte dependência de um único fornecedor.

“Dada a amarga experiência que a Europa teve com a Rússia e tendo em conta que, de qualquer forma, chegará muito GNL ao mercado e que o mercado do gás passará de um mercado de vendedores para um mercado de compradores, considerar a Rússia como uma opção alternativa para obter gás seria economicamente e, na minha opinião, politicamente incorreto”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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