BRUXELAS, 11 fev. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia responderá com contramedidas "firmes e proporcionais" à imposição de tarifas de 25% sobre toda a produção estrangeira de aço e alumínio anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora continue aberta ao diálogo para buscar uma "solução", pois considera que uma guerra comercial só pode prejudicar a todos.
"Como eu disse da última vez, sempre protegeremos nossos interesses contra medidas injustificadas com base em nossos valores e esse momento chegou", disse o Comissário para o Comércio, Maros Sefcovic, na sessão plenária do Parlamento Europeu reunido em Estrasburgo (França), durante um debate sobre as relações comerciais internacionais e o impacto das tarifas.
Bruxelas, falando em nome da UE-27 sobre questões comerciais, quis deixar claro que a taxação de exportações de terceiros "não é o cenário preferido" da UE, mas o bloco "agirá para proteger os interesses" das empresas, dos trabalhadores e dos consumidores europeus.
No momento, o executivo da UE está "analisando o escopo" das ordens executivas assinadas ontem à noite por Trump para ativar tarifas dentro de um mês sobre todo o aço e alumínio importados pelos Estados Unidos e está preparado para responder "com contramedidas firmes e proporcionais".
Sefcovic enfatizou que os europeus permanecem "comprometidos com o diálogo construtivo", de modo que Bruxelas continua "pronta para negociar" soluções "mutuamente benéficas" "sempre que possível", porque, enfatizou, "há muito em jogo para ambos os lados" e fazer com que isso funcione é "senso comum".
De qualquer forma, em seu discurso, o Comissário de Comércio da UE defendeu a importância de consolidar novas formas de cooperação multilateral e fortalecer a rede de acordos comerciais que a União Europeia tem com terceiros, para o que deu o exemplo de acordos como o assinado com o Mercosul no final do ano passado ou a renovação das relações com a Suíça e o México.
"Há um impulso claro. Muitos países terceiros estão buscando continuidade, estabilidade e previsibilidade em seus parceiros comerciais. Então, eles se voltam para nós", disse Sefcovic, logo após indicar que a UE "mantém todas as linhas de comunicação abertas" no cenário internacional.
"Se alguém quiser erguer barreiras, nós estendemos as mãos e oferecemos um comércio livre e justo", defendeu Sefcovic no final do debate, alertando em seguida aqueles que defendem o "fechamento" da UE no protecionismo que "metade do PIB (europeu) depende das exportações, 30 milhões de europeus trabalham em setores ligados às exportações e dois terços da produção europeia recebem peças do exterior".
Por esse motivo, acrescentou, é necessário ser "mais rápido e mais eficiente" quando se trata de estabelecer novos acordos comerciais com terceiros, para não "passar décadas negociando ou longos anos antes de ratificar (os pactos)".
SALVAGUARDA DOS INTERESSES DA UE
Em uma declaração divulgada pouco depois, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "lamenta profundamente" a decisão dos EUA e, de acordo com os comentários recentes de Sefcovic, enfatizou que as tarifas equivalem a "impostos" que prejudicam tanto as empresas quanto os consumidores, inclusive os americanos.
"As tarifas injustificadas sobre a UE não passarão sem contestação: elas desencadearão contramedidas firmes e proporcionais", disse Von der Leyen, que concluiu que o bloco "agirá para salvaguardar seus interesses econômicos".
A conservadora alemã está em Paris nesta terça-feira para participar de uma cúpula sobre Inteligência Artificial, que também conta com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, com quem ela deve ter uma reunião bilateral nesta manhã.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também expressou nas redes sociais seu "firme apoio" ao executivo da UE em seu anúncio de que está considerando uma resposta "firme e proporcional" às tarifas "injustificadas", ao mesmo tempo em que afirmou que o bloco permanece "unido" na defesa dos "interesses das empresas, trabalhadores e cidadãos europeus". "Somos um parceiro confiável e previsível. Continuaremos a nos empenhar por um comércio global justo", concluiu o ex-primeiro-ministro português.
MEPS PEDE FIRMEZA SEM ESQUECER O DIÁLOGO
Durante o debate, o Partido Popular Europeu (PPE) pediu a Bruxelas que não se esqueça de que os EUA são um "aliado muito próximo" e que busque o diálogo em sua resposta à imposição de tarifas, pois, de acordo com o eurodeputado Jörgen Warborn, "uma troca de golpes não funcionará".
A líder dos Socialistas e Democratas (S&D), a espanhola Iratxe García, respondeu que a UE não deveria "ficar de braços cruzados" enquanto Washington "intimida seus principais parceiros comerciais com tarifas injustificadas", desde o México e o Canadá até a UE.
A eurodeputada do grupo de extrema-direita Patriots for Europe, Klara Dostalova, defendeu que em questões comerciais "não há amigos, mas interesses", e criticou a "fraqueza" com que, em sua opinião, a Comissão Europeia enfrenta a imposição de tarifas assinadas por Trump. O eurodeputado Daniele Polato, do Partido Conservador e Reformista Europeu (ECR), também acusou a UE de aplicar "dois pesos e duas medidas", dependendo de quem está na Casa Branca.
Enquanto isso, o Grupo Liberal Europeu (EPP-ED) convocou a eurodeputada Karin Karlsbro a "unir forças" contra a China e os Estados Unidos, criticando que as tarifas "empobrecem" todos os atores nas relações globais e ressaltando que, diante do interesse dos EUA em dividir a UE, a "força" do bloco está justamente em sua "união".
Para a porta-voz dos Verdes Europeus, Anna Cavazzini, as "tarifas arbitrárias vão empobrecer" a todos e reprovou os grupos de extrema direita por "se renderem" ao presidente dos EUA, que busca "dobrar e empobrecer" parceiros como a UE. A líder da Esquerda Europeia, a francesa Manon Aubry, criticou a UE por "olhar para o outro lado" quando Trump decide "dobrar suas ameaças".
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