Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
BRUXELAS 25 fev. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia sinalizou nesta terça-feira seu apoio "total" ao seu embaixador na Geórgia após os ataques do primeiro-ministro georgiano Irakli Kobajidze, que o acusa de ser "cúmplice" da violência nas ruas da capital, Tbilisi, nos últimos meses.
"Não vemos boas notícias vindas da Geórgia no momento, e as últimas acusações contra nosso embaixador apenas confirmam isso", disse a porta-voz de relações exteriores da UE, Anitta Hipper, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas sobre as acusações das autoridades georgianas no contexto da onda de protestos contra o governo após as eleições legislativas de outubro, um episódio que separou ainda mais Tbilisi de Bruxelas.
Nesse sentido, Hipper apoiou Pavel Gerchinski, chefe da delegação da UE na Geórgia, contra as acusações de promover a violência nos protestos. "Nosso embaixador tem todo o nosso apoio", disse ele.
Ela lamentou a "regressão democrática" na Geórgia desde as disputadas eleições de outubro, que, segundo observadores internacionais, foram marcadas por irregularidades.
"Temos visto intimidações constantes, ameaças contra manifestantes pacíficos, jornalistas, sociedade civil e basicamente qualquer pessoa que se manifeste a favor da liberdade e da democracia", disse ela, enfatizando que a UE está ao lado do povo georgiano que está lutando pelos valores democráticos.
Hipper lembrou que a UE respondeu às "táticas de intimidação e repressão" de Tbilisi rebaixando os contatos políticos, congelando o apoio financeiro às autoridades georgianas e suspendendo os vistos para diplomatas e funcionários georgianos.
Kobajidze acusou o embaixador europeu de pedir aos eleitores, no período que antecedeu as eleições de outubro, que votassem contra seu partido, o Georgian Dream, que a UE considera contrário aos valores europeus por ter se afastado do caminho de adesão do país ao bloco da UE.
A terça-feira marca 90 dias de protestos contra o governo da Geórgia, e os manifestantes mais uma vez saíram às ruas durante o dia para alertar sobre os "perigos" que o país enfrenta, cuja posição oficial está agora mais próxima da Rússia.
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