Presidente ucraniano defende a presença europeia nas negociações com a Rússia
MADRID, 17 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, assegurou nesta segunda-feira que não reconhecerá as conclusões da reunião entre a Rússia e os Estados Unidos, que será realizada na Arábia Saudita, reunião para a qual a Ucrânia não foi convidada.
"A Ucrânia não aceitará isso. A Ucrânia não sabia disso e acredita que qualquer negociação sobre a Ucrânia sem a Ucrânia não produzirá resultados", disse Zelenski de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, em uma entrevista coletiva online para a imprensa ucraniana.
"Não podemos reconhecer nada ou qualquer acordo sobre nós sem nós. E não reconheceremos tais acordos", acrescentou o presidente ucraniano, que limitou a futura reunião em Riad, a capital saudita, a uma questão bilateral entre Washington e Moscou, de acordo com o Ukrinform.
"Os EUA têm o direito de fazer isso se tiverem problemas bilaterais. Eles já falaram sobre isso antes, mas só agora começaram a fazê-lo publicamente", explicou Zelenski, que está em Abu Dhabi como parte de uma turnê pela região que também o levará à Arábia Saudita.
No entanto, Zelenski quis deixar claro que sua visita oficial à região não tem nada a ver com a reunião entre Washington e Moscou, embora tenha reconhecido que, uma vez em Riad, perguntará ao primeiro-ministro e príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sobre a reunião de terça-feira. "É interessante", disse ele.
A EUROPA, PRESENTE NAS NEGOCIAÇÕES DE PAZ
Zelenski também aproveitou esse encontro virtual com a imprensa para enfatizar mais uma vez a necessidade de oferecer à Ucrânia garantias de segurança, como a adesão à OTAN ou uma alternativa viável.
"Se não for a OTAN, então, figurativamente falando, a OTAN deve ser construída na Ucrânia (...) Isso significa um exército de um milhão de homens (...) Além do financiamento, também são necessárias armas", disse ele.
Ele também insistiu que os Estados Unidos, "de uma forma ou de outra", deveriam fazer parte dessas hipotéticas forças de manutenção da paz que seriam enviadas para o território ucraniano como medida preventiva.
"Queremos garantias de segurança não no papel, mas em terra, no mar e no céu. Defesa aérea, aviões e navios", afirmou o presidente ucraniano, que disse que a questão dessas forças de paz será um dos pontos da reunião entre os líderes europeus nesta segunda-feira, em Paris.
Com relação a possíveis negociações com a Rússia, Zelenski argumentou que deveria haver um lugar para a Europa na mesa de negociações e, para isso, propôs aos seus aliados que nomeassem um representante especial que fosse "respeitado" como bloco.
Zelenski explicou que todos os atores políticos dispostos a assumir a responsabilidade de oferecer à Ucrânia garantias de segurança, assistência militar e econômica, ou sua participação na reconstrução do país após a guerra, deveriam participar das negociações.
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