Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo
MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -
Um relatório do sindicato prisional Acaip destaca que três em cada cinco presos provisórios admitidos em 2024 nas prisões espanholas não tinham relação direta com organizações terroristas como o Estado Islâmico (Daesh) ou a Al Qaeda, pois foram detidos e presos por crimes como glorificação ou doutrinação, principalmente relacionados à propaganda na internet.
O relatório do Observatório da Acaip, consultado pela Europa Press, estabelece que o perfil majoritário é o de um homem de 37 anos, sendo a nacionalidade marroquina e a espanhola as mais repetidas, e sem nenhuma relação direta com organizações terroristas.
"Apenas 6,06% dos indivíduos foram considerados membros de uma organização terrorista e 18,18% por colaboração com uma organização terrorista", diz a Acaip, que acrescenta que "63,63% estavam envolvidos em atividades de doutrinação, autotreinamento, recrutamento ou glorificação do terrorismo", o que implica penas que não ultrapassam cinco anos em média.
Os dados analisados pela Acaip também refletem que um indivíduo foi preso no ano passado sob a acusação de ameaças e danos, enquanto outro foi preso por um crime de financiamento do terrorismo. A maioria, com 14 casos, foi por atividades de doutrinação e glorificação.
A IDADE MÉDIA AUMENTA E HÁ DOIS REINCIDENTES
O Observatório deste sindicato prisional analisa as 33 novas admissões preventivas - quatro a menos do que em 2023 - o que significa que 40% dos 81 presos pelas Forças e Corpos de Segurança do Estado foram encarcerados por decisão do Tribunal Nacional.
A idade média aumentou ligeiramente em 2024 para 37,6 anos - em comparação com 35 anos um ano antes - e, dos casos que eles puderam analisar em fontes abertas e com análise de registros judiciais, nove (39,13%) eram de nacionalidade marroquina e oito (34,78%) eram espanhóis, seguidos por dois hispano-marroquinos (8,69%). As demais são espanholas-jordanianas, libanesas, paquistanesas, argelinas e uma mexicana.
Em 2024, houve dois casos de presos reincidentes, Ilia M. e Hamed Abderraman Ahmed, ambos de Ceuta, e nenhum por viagem a território sob controle de organizações terroristas. A Acaip também destaca que a única mulher presa - ao contrário das cinco em 2023 - foi acusada de autoeducação e glorificação do terrorismo.
UMA REDE HIPERCONECTADA, MAS NÃO HIERÁRQUICA
O Observatório da Acaip também inclui uma análise dos últimos 20 anos, coordenada pelo especialista no assunto Salvador Berdún, que destacou o papel desempenhado dentro da prisão pelos "dinamizadores" para fazer a ligação entre os prisioneiros jihadistas, usando o contato com os parentes do prisioneiro ou outros recursos, como a troca de cartas.
"É uma estrutura informal, nada a ver com o que foi definido no estilo do que aconteceu com os prisioneiros do ETA, mas há uma grande conexão entre eles", indicou o analista, dando como exemplo casos como o de Mohamed Achraf, devido à sua influência e capacidade de recrutamento.
Dito isso, a Acaip argumenta que, em termos gerais, o preso por crimes relacionados ao jihadismo "não tende a ser conflituoso". "Para fins disciplinares, ele é um detento com o qual é mais fácil lidar do que outros presos por delitos comuns", afirma.
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