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MADRID 14 fev. (EUROPA PRESS) -
As autoridades sírias anunciaram a exclusão das milícias curdas das Forças Democráticas da Síria (SDF) da próxima conferência de diálogo nacional que estão planejando para definir a direção política do país após o colapso do regime do ex-presidente Bashar al-Assad.
O argumento para excluir as SDF é que a milícia, dominante no nordeste do país e que ainda enfrenta grupos armados financiados pela Turquia próximos às novas autoridades, se recusa a depor as armas e a fazer parte de uma estrutura de segurança unificada.
A SDF argumenta que está defendendo o povo curdo sírio de uma estratégia de extermínio projetada pela Turquia, que há anos vem realizando uma campanha militar contra essas milícias, ligando-as ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que Ancara considera um grupo terrorista.
"Os grupos armados e as formações militares não participarão da conferência porque entram em conflito com a natureza do diálogo", explicou o presidente do comitê preparatório da conferência, Hassan al-Daghim, à agência oficial de notícias turca Anatolia, antes de garantir que "nem as SDF nem as Unidades de Proteção Popular" (YPG, o grupo que forma a espinha dorsal da organização) "são representativas do povo sírio".
Al Daghim não explicou quando será realizada essa "conferência nacional", que o presidente de transição da Síria e líder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS), Ahmed al Shara, vem planejando praticamente desde que assumiu o controle do país em dezembro do ano passado, com a intenção de estabilizar e unificar a Síria sob suas ordens.
O presidente do comitê preparatório disse na coletiva de imprensa de ontem em Damasco que o papel do grupo é fazer recomendações a al Shara, que tomará a decisão final sobre a hora, o local e os convidados.
Em resposta, o porta-voz da SDF, Farhad Shami, alertou que essa exclusão não afeta apenas as milícias, mas também a principal entidade política que representa o povo curdo sírio, a Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria (AANES).
"Qualquer conferência síria que exclua a SDF ou a AANES não terá caráter nacional nem de unidade, mas será uma repetição da política anterior de exclusão que levou à destruição da Síria e à fragmentação de sua sociedade", disse Shami à Al Arabiya.
A mesma opinião foi expressa pelo líder curdo Saleh Muslim, membro da presidência do Partido da União Democrática, uma das formações mais importantes da AANES, que também denunciou o fato de que o comitê preparatório em si só foi criado "para agradar elementos externos e não representa todo o espectro do povo sírio".
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