Publicado 13/02/2025 12:41

A SEMERGEN elabora um protocolo para facilitar a abordagem do tabagismo na Atenção Primária

Helia Madrona e Raúl de Simón na apresentação do documento 'Comprehensive approach to smoking in Primary Care', que inclui a ferramenta 'Reverse'.
SEMERGEN

MADRID 13 fev. (EUROPA PRESS) -

O Grupo de Trabalho sobre Tabagismo da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN) apresentou nesta quinta-feira o protocolo 'Reverse' para facilitar uma abordagem abrangente do tabagismo nas consultas de Atenção Primária (AP) com base em sete etapas, com o objetivo de ajudar a reverter o hábito de fumar na população a partir desse primeiro nível de atendimento.

Na apresentação do documento 'Abordagem Integral do Tabagismo na Atenção Primária', que inclui essa ferramenta, o coordenador do Grupo de Trabalho sobre Tabagismo, Raúl de Simón, alertou sobre os riscos do tabagismo, pois apesar da diminuição de fumantes refletida na última Pesquisa sobre Álcool e outras Drogas na Espanha (EDADES 2024), ainda há 25% de consumidores.

Nesse sentido, ele alertou que o tabagismo é a principal causa de doença prematura evitável, está relacionado a 60.000 mortes por ano no país e está envolvido em seis das oito principais causas de morte, bem como em 25 doenças de diferentes tipos, como patologia cardiovascular, oncologia e doença respiratória crônica.

"Embora estejamos progredindo nas medidas de conscientização, reduzimos o consumo de tabaco em oito pontos, mas isso não é suficiente. Estamos nos deparando com um início de consumo cada vez mais precoce, com novas formas de consumo que têm representado um desafio para os médicos. A partir da necessidade de estabelecer um protocolo para ajudar o médico da atenção primária, surgiu essa ferramenta chamada 'Reverse'", disse uma das autoras da iniciativa, Helia Madrona, membro do Grupo de Tabagismo da SEMERGEN.

Segundo ela, o protocolo inclui sete etapas que constituem uma metodologia "estruturada e sequencial". A primeira delas é a recepção inicial e a avaliação do paciente, onde o objetivo é estabelecer um "clima de confiança" com o paciente, com o objetivo de estabelecer as bases para uma entrevista motivacional para ajudar a iniciar a mudança necessária.

Em segundo lugar, inclui uma avaliação dos hábitos e do grau de dependência do tabaco. Para isso, uma série de perguntas seria feita para descobrir o quanto o paciente fuma, há quanto tempo fuma, que tipo de produtos consome, se já tentou parar em alguma ocasião e o motivo da recaída. Além disso, o teste de Fagerström, que inclui seis perguntas, seria usado para avaliar o grau de dependência da nicotina, para que os especialistas possam individualizar o tratamento necessário para o paciente.

Em seguida, o protocolo inclui uma avaliação médica abrangente, que consiste em um exame físico detalhado e uma revisão do histórico médico do paciente para verificar se há comorbidades. Nesse momento, também é feita uma análise dos medicamentos que o paciente possa estar tomando, a fim de avaliar quaisquer interações com possíveis tratamentos para parar de fumar.

Em quarto lugar, é estabelecida a fase de mudança, que serve para estabelecer em que estágio de mudança o paciente se encontra, usando métodos psicológicos, como os de Prochaska e DiClemente. O especialista explicou que há seis fases de mudança: uma primeira de pré-contemplação, na qual o paciente não reconhece que tem um problema; uma segunda de contemplação, na qual ele reconhece um problema, mas não se vê pronto para agir; outra de preparação, na qual o paciente tem a vontade de iniciar a mudança e o "dia D" é marcado, que é quando o paciente fumará o último cigarro; uma fase de ação, na qual o "dia D" chega; outra de manutenção e, finalmente, a fase de conclusão ou término, quando a abstinência prolongada é alcançada.

A quinta etapa do protocolo "Reverso" é estipular o tratamento, que inclui, por um lado, um tratamento não farmacológico, com suporte cognitivo-comportamental, e, por outro, um tratamento farmacológico. O sexto aspecto é fornecer aos pacientes ferramentas de treinamento para apoiá-los e reforçá-los quando saírem da clínica.

Por fim, recomenda-se monitorar o progresso do paciente. "A experiência nos diz que o paciente precisa de apoio e acompanhamento. Parar de fumar é difícil, os pacientes sofrem de três a quatro recaídas antes de conseguir parar de fumar definitivamente e nós temos um papel fundamental aqui, tanto a equipe de saúde quanto o ambiente familiar", disse o especialista, que especificou que a ideia seria entrar em contato com o paciente uma semana depois de ele ter parado de fumar e depois acompanhá-lo mensalmente durante o primeiro ano.

Por outro lado, o protocolo inclui uma segunda parte com recomendações específicas para combater o tabagismo em populações específicas, como fumantes com doenças cardíacas, com diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), fumantes grávidas, pacientes com obesidade, patologias psiquiátricas ou adolescentes e jovens.

O objetivo é fornecer aos médicos da atenção primária um protocolo que eles possam aplicar de forma simples, proativa e adaptada a cada pessoa em cerca de 15 minutos de consulta, no caso de pacientes com os quais já estejam familiarizados, ou dividindo as fases do protocolo em várias consultas. Para sua disseminação entre os especialistas, o SEMERGEN Smoking Group indicou que cerca de 100 reuniões estão planejadas em nível local e enfatizou que eles estão confiantes de que a taxa de sucesso do protocolo será "alta".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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