Publicado 01/03/2025 06:19

A primeira fase do cessar-fogo em Gaza termina no sábado em meio à total incerteza

GAZA, 27 de fevereiro de 2025 -- Um prisioneiro palestino libertado (esq.) abraça seu parente na cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, em 27 de fevereiro de 2025. Na quinta-feira, as autoridades israelenses começaram a libertar mais de 600 prisi
Europa Press/Contacto/Rizek Abdeljawad

A ONU pede ao Hamas e a Israel que se lembrem das conquistas alcançadas graças à reentrada da ajuda: "Não pode haver retrocesso" MADRI 1 mar. (EUROPA PRESS) -

A primeira fase do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas em 19 de janeiro termina no sábado sem que nenhum dos lados tenha feito qualquer progresso na continuação da cessação das hostilidades, o que pode significar o fim do descanso crucial para a população do enclave.

Nesses 42 dias de cessar-fogo, houve uma série de trocas de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, cumprindo a premissa fundamental desse primeiro estágio: restaurar a confiança entre Israel e o Hamas por meio dessa série de trocas, visando a uma segunda fase que envolveria a conclusão desses procedimentos e a retirada de Israel do enclave.

No entanto, nas últimas duas semanas, a perspectiva ficou mais sombria, pois a questão fundamental do futuro político da Faixa de Gaza apareceu na mesa, uma questão reservada, em princípio, para uma hipotética terceira fase do cessar-fogo, mas de importância tão crucial que a discussão era inevitável.

O governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, começou a insistir na época que não toleraria que o Hamas mantivesse o controle (político ou de segurança) do enclave palestino, uma possibilidade que o movimento islâmico não contemplava de forma alguma.

Enquanto isso, os dois lados começaram a intensificar suas acusações sobre maus-tratos a reféns e prisioneiros à medida que o procedimento de troca avançava, a ponto de Israel ter se recusado, na semana passada, a libertar o lote relevante de prisioneiros palestinos após criticar as cerimônias de libertação "humilhantes" do Hamas.

Ao mesmo tempo, o movimento palestino denunciou o péssimo estado de saúde dos prisioneiros libertados, muitos dos quais tiveram que ser levados às pressas para o hospital devido a sinais de desnutrição e abuso físico.

Na semana passada, o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, propôs abertamente a possibilidade de estender a primeira fase do acordo, ou seja, continuar as trocas sem abordar nenhuma outra questão.

No sábado, o Hamas rejeitou categoricamente essa possibilidade como um retorno à estaca zero e uma tática de atraso orquestrada com Israel para manter sua presença no enclave. Seu porta-voz, Hazim Qasem, também confirmou que atualmente não há progresso em direção a uma segunda parte, embora os mediadores internacionais tenham confirmado à mídia israelense que as negociações, especialmente no Cairo, continuarão até o último momento.

SEM RETORNO

Enquanto isso, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na sexta-feira a Israel e ao Hamas que mantenham o cessar-fogo. "Os próximos dias são cruciais. As partes não devem poupar esforços para evitar a ruptura deste acordo. Eu os exorto a honrar seus compromissos e implementá-los integralmente", disse Guterres de Nova York.

Por sua vez, as agências da ONU pediram nas últimas horas que ambos os lados valorizassem o que foi alcançado até agora, especialmente em questões humanitárias.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU lembrou que, desde o restabelecimento parcial das chegadas de ajuda humanitária com o cessar-fogo, a agência chegou a um milhão de habitantes de Gaza e conseguiu retomar a operação dos pontos de distribuição, reabriu padarias e estendeu a assistência crucial em dinheiro à população.

"O impacto do acesso humanitário seguro e sustentado é evidente. O cessar-fogo deve ser mantido. Não pode haver retrocesso", acrescentou o PMA em uma declaração publicada em sua conta na mídia social X.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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