MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Sociedade Espanhola de Cuidados Paliativos (SECPAL), Elia Martínez, enfatizou a importncia de os residentes médicos internos (MIR) aprenderem cuidados paliativos, pois isso ajuda a aliviar o sofrimento e prolonga a vida, permitindo que eles enfrentem a morte com "normalidade", evitando a "sensao de despejo".
Saímos das faculdades de medicina preparados apenas para curar, mas na realidade estamos nus diante da dor, da vulnerabilidade, do sofrimento, da aceitao de no sermos curados, da honestidade, da escuta respeitosa, da morte e do acompanhamento", disse ele na conferncia "Medicina paliativa: uma abordagem essencial", organizada pela Sociedade Espanhola de Medicina Paliativa (SEMPAL), da qual participaram cinquenta MIRs.
Durante a reunio, os psicólogos Helena García e Javier Barbero enfatizaram a necessidade de estabelecer uma comunicao empática com o paciente e seus familiares para facilitar a transmisso de más notícias.
Como eles apontaram, "se uma me lhe perguntar por que o filho dela tem que morrer de leucemia aos 17 anos, temos que estar preparados para saber como responder a essa pergunta". Para isso, eles enfatizaram que os MIRs devem trabalhar com "atitude, habilidades e conhecimento".
"Quando a morte é inevitável, morrer bem é essencial, mas os médicos no so ensinados a parar. Os pacientes precisam de mais do que apenas técnicas; eles precisam que nós os procuremos e os encontremos", disse a coordenadora do comit organizador da conferncia, María González Ascarza.
Por sua vez, Tayra Velasco, doutora em Enfermagem e professora de Bioética, falou sobre a importncia de trabalhar com o paciente no planejamento de cuidados compartilhados (CSP). Segundo ela, o PCA deve ser sempre, assim como o consentimento informado, "um processo comunicativo", embora a realidade seja que ainda existem barreiras para seu desenvolvimento adequado, como "a falta de treinamento dos profissionais, a falta de conscientizao social, a burocratizao excessiva e a permanncia de uma cultura paternalista em relao ao paciente".
"SEMPRE HÁ ALGO A OFERECER".
Durante essa reunio de treinamento, foi realizada uma sesso sobre o controle sintomático de pacientes com necessidades paliativas, ministrada pelos médicos Agustín Chacón e Estefanía Quirós. Entre os sintomas mais frequentes no final da vida esto a dispneia, os vmitos, o delírio ou a constipao, para os quais Quirós enfatizou a necessidade de conhecer os tratamentos farmacológicos disponíveis, além de levar em conta o cuidado emocional.
Para Chacón, o sintoma "mais difícil" de tratar e gerenciar é o sofrimento existencial que aparece quando o paciente ouve "que no há nada a ser feito". Nesse sentido, o especialista ressaltou que "sempre há algo a oferecer", mesmo que no seja uma cura. "O antídoto para o sofrimento existencial é procurar a parte saudável daquele paciente que está condenado morte e trabalhar a partir daí, da presena e do acompanhamento", disse.
Além disso, os especialistas que falaram na conferncia destacaram o valor do trabalho em equipe. Alejandro Gómez, assistente social de saúde da Unidade de Cuidados Paliativos Pediátricos da Comunidade de Madri e vice-presidente da SECPAL, convidou os MIRs a contar com seus colegas no médicos, como enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.
"Somos capazes de detectar uma situao de necessidade e aconselhar por meio de recursos pessoais, orientao ou encaminhamento para o recurso comunitário adequado para cada família", explicou González.
Por sua vez, o enfermeiro Javier Pertiñez destacou que "o papel do enfermeiro em uma unidade de hospitalizao paliativa é levar em conta o binmio indivisível formado pelo paciente e pela família, porque todo o trabalho que fazemos com seus entes queridos é algo que eles vo levar consigo para mais tarde, quando a pessoa no estiver mais lá".
Na mesma linha, a psicóloga Carola del Rincón enfatizou a importncia de criar "um vínculo com o paciente e a família, oferecendo-lhes informaes claras, realistas e concisas", para que sintam que o profissional que os atende é "uma pessoa em quem podem confiar e a quem podem expressar suas dúvidas e preocupaes", um valor agregado no caso de o paciente ser menor de idade e o impacto emocional ser muito maior.
VIA SUBCUTNEA
Por outro lado, a enfermeira Belén Martínez, da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Gregorio Marañón, ofereceu aos MIRs as chaves para o manejo da via subcutnea, um procedimento que será necessário para entre 50 e 70% dos pacientes paliativos ao longo do curso de sua doena, uma porcentagem que aumenta em uma situao de agonia. "Essa técnica é essencial para o controle dos sintomas, reduzindo o número de internaes hospitalares quando a via oral no é possível", disse ele.
Para concluir a conferncia, o médico da Unidade de Cuidados Paliativos do Servio de Medicina Interna do Hospital Geral de Villalba, José María Fraile, discutiu algumas das chaves para a compreenso dos cuidados no final da vida. "Somos ensinados a nascer, mas ninguém nos ensina que vamos morrer, e todos nós desenvolvemos esse medo da morte; isso também acontece conosco, médicos, e é por isso que muitas vezes continuamos com tratamentos que no so necessários", argumentou.
Levando em conta que 181.000 pessoas morrero de cncer somente este ano na Espanha, o especialista enfatizou "as consequncias adversas da falta de planejamento para uma transio adequada para a abordagem do fim da vida", incluindo "sofrimento psicológico, o uso de tratamentos médicos que contradizem as preferncias pessoais, o uso de recursos de saúde pesados e caros e um processo de luto muito mais difícil".
Depois de ser realizada em Madri, a III Conferncia SEMPAL para Residentes "Medicina Paliativa: uma abordagem essencial" será realizada em 15 de maio no auditório da Universidade de Zaragoza e em 7 de novembro em Sevilha, com um programa comum de conteúdo, mas com um painel de ensino adaptado a cada local.
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