Gabriel Luengas - Europa Press - Arquivo
MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Beatriz Domínguez-Gil, ressaltou que a chegada dos tratamentos contra a hepatite C "esvaziou" as listas de espera para transplantes de fígado, destacando que em 2014 havia 744 pacientes esperando por um fígado para uma doença hepática associada a essa patologia, enquanto em 2024 havia cem pacientes.
"Vimos como a incorporação de tratamentos antivirais de ação direta reduziu a indicação de transplante de fígado para doenças associadas à hepatite C, e até permitiu que pacientes da lista fossem excluídos devido à melhora clínica. Foi algo impressionante que esvaziou as listas de espera para transplantes de fígado", disse Domínguez-Gil durante a abertura do 50º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola para o Estudo do Fígado (AEEH).
Essa situação levou a "considerar" a opção de transplantes de fígado para pessoas mais velhas, destacando que o número de pacientes transplantados com mais de 70 anos já está aumentando, ou em casos "impensáveis até alguns anos atrás", como metástases hepáticas de câncer colorretal.
"Se olharmos para trás, a sobrevida de um paciente de transplante de fígado e sua qualidade de vida têm melhorado, (...) esse transplante tem sido capaz de restaurar a qualidade de vida e as expectativas de sobrevida dos pacientes de uma forma incrível", acrescentou.
Os antivirais de ação direta também possibilitaram o transplante de órgãos de doadores positivos para o vírus C e receptores negativos de todos os tipos de órgãos, dando-lhes uma "segunda chance", quando há uma década essa opção nem sequer era "considerada".
Ele também enfatizou que, em 2024, foi alcançada uma atividade "extraordinária" com mais de 1.300 transplantes, um número "difícil de imaginar para muitos países vizinhos", e que se deve em parte a esses avanços, mas também a uma população "solidária", um sistema "exemplar" e profissionais que "foram capazes de se adaptar perfeitamente" às mudanças.
Finalmente, ele ressaltou que é necessário promover estilos de vida saudáveis e estabelecer uma estratégia para o diagnóstico precoce de doenças hepáticas, especialmente para evitar transplantes, e enfatizou que o Ministério da Saúde está "ciente" de que "tem que fazer todo o possível" nesse sentido.
ESPECIALIDADE DO SISTEMA DIGESTIVO NO TREINAMENTO DO MIR
Por sua vez, a presidente da Comissão Nacional do Aparelho Digestivo, Gloria Sánchez Antolín, informou que há alguns meses solicitou ao Ministério da Saúde, com o apoio de sete comunidades autônomas, que fornecesse treinamento "específico e complementar" ao adquirido na especialidade do Aparelho Digestivo durante o MIR, com o objetivo de "adquirir habilidades técnicas, clínicas e também tecnológicas" que foram desenvolvidas nos últimos 50 anos, de modo a permitir um melhor gerenciamento de perfis de pacientes "cada vez mais complexos".
"Há 50 anos, a hepatite viral era uma doença devastadora sem tratamento, a cirrose avançava sem controle e o transplante prático era uma intervenção experimental com resultados incertos na época. Hoje, graças à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, (...) o curso dessas doenças mudou radicalmente", acrescentou.
Apesar de considerar que se assistiu a uma "verdadeira revolução" na especialidade, ele ressaltou que há novos desafios, como a prevenção e o controle da doença hepática associada ao álcool e à síndrome metabólica, a igualdade de acesso às inovações terapêuticas, a medicina personalizada aplicada às doenças hepáticas e a incorporação de novas ferramentas de Inteligência Artificial que sejam seguras, confiáveis, éticas e responsáveis.
Em relação a isso, a presidente da Federação Nacional de Pacientes Hepáticos e Transplantados (FNETH), Eva Pérez Bech, afirmou que o marco mais importante foi a cura da hepatite C, algo que "não será visto novamente", mas também falou sobre outros desafios, como a conscientização do público sobre a doença do fígado gorduroso e o hepatocarcinoma.
Depois disso, ele enfatizou que as associações de pacientes têm um "papel importante" tanto na colaboração com as administrações quanto no acompanhamento ou fornecimento de serviços, especialmente atendimento psicológico, para os pacientes, já que em muitos hospitais ou áreas rurais eles não têm acesso a esses serviços.
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