Eduardo Parra - Europa Press
Ele busca deixar o PSOE em minoria antes que o governo possa vetar projetos de lei.
MADRID, 23 fev. (EUROPA PRESS) -
O PP quer forçar uma votação em março no plenário do Congresso para rejeitar a tributação do salário mínimo, uma questão que divide o governo de coalizão e na qual o PSOE poderia ficar em minoria.
A brecha no Executivo foi aberta há uma semana, quando foi aprovado o aumento do salário mínimo para 1.184 euros mensais e, logo em seguida, soube-se que esse valor não seria mais isento de imposto de renda (IRPF). Em meio à coletiva de imprensa do Conselho de Ministros, a vice-presidente Yolanda Díaz criticou a decisão do Tesouro e afirmou ter tomado conhecimento dela pela imprensa.
A oposição encontrou um ponto fraco nessa discrepância e, na sessão de controle seguinte, recorreu à primeira vice-presidente e ministra da Fazenda, a socialista María Jesús Montero, pedindo explicações sobre essa medida fiscal e buscando contradições dentro do Executivo.
O PSOE ADVERTE QUE, SEM O IRPF, O SMI NÃO SUBIRÁ MAIS
O PSOE insiste que o salário mínimo atingiu certos parâmetros que tornam essencial tributá-lo porque, caso contrário, ele seria "mortalmente ferido" e não poderia mais ser aumentado anualmente. Eles afirmam que a política fiscal está em risco e que esse debate só favorece os partidos que querem acabar com os impostos.
Mas Sumar, o parceiro minoritário do governo, insiste que o SMI deve continuar isento por motivos de justiça social, uma ideia compartilhada por aliados parlamentares da esquerda, como Podemos, ERC e Bildu.
Tanto Sumar quanto o PP e o Podemos registraram projetos de lei para isentar o salário mínimo, mas essas iniciativas legislativas têm um cronograma ocioso, pois devem primeiro ser examinadas pelo Governo, que tem um mês para decidir se permite que sejam debatidas ou votadas ou se impede que sejam processadas, exercendo o poder de veto concedido a ele pela Constituição.
INFERNO FISCAL
Nesse contexto, o PP decidiu acelerar as coisas e forçar uma votação em março para que o Plenário do Congresso possa decidir se quer ou não que o salário mínimo pague imposto de renda pessoal. Para isso, registrou uma interpelação a ser debatida na próxima semana com o vice-presidente Montero e, na sessão plenária seguinte, já na semana de 11 de março, defenderá uma moção sobre o que chama de "o inferno fiscal sofrido pelos espanhóis".
É previsível que essa moção inclua um ponto rejeitando a tributação do salário mínimo, e aí ele poderia encontrar o voto a favor do Vox e do Junts, mas também do Sumar e dos aliados de esquerda do governo, deixando o PSOE quase sozinho.
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