MADRID, 1 mar. (EUROPA PRESS) -
O vice-secretário de Economia do PP, Juan Bravo, admitiu neste sábado que as comunidades governadas por seu partido são "autônomas" para decidir se aceitam ou não a proposta de redução da dívida proposta pelo Governo, mas insistiu que "o cancelamento não é a solução" porque, na realidade, "nada é perdoado" e a dívida terá que ser paga da mesma forma.
Em uma entrevista ao programa "Parlamento" da RNE, captada pela Europa Press, Bravo explicou que nenhum de seus assessores conversou com ele em particular sobre a possibilidade de aceitar esse perdão. Perguntado se eles entenderiam se algum de seus territórios aceitasse, ele respondeu que "as comunidades autônomas, como seu próprio nome indica, são autônomas e fazem o que é melhor", mas enfatizou que "isso não é bom" para elas.
QUEM MUDOU FOI MONTERO
O líder "popular" defendeu a posição mantida pelas comunidades do PP no Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF), onde optaram por "trabalhar em um novo sistema de financiamento e uma reestruturação da dívida". "É o mesmo que María Jesús Montero defendia quando era ministra. Foi ela quem mudou. Estamos defendendo a mesma coisa há anos", afirmou.
Bravo chamou a atenção para o fato de que o documento redigido pelo Tesouro só fala de "cancelamento" em sua parte política, mas no restante, que ele atribui aos "técnicos" do ministério, fala-se de "absorção".
"Nada é tolerado aqui. O Estado absorve a dívida da comunidade autônoma, mas os espanhóis continuarão a dever como espanhóis madrilenos ou espanhóis valencianos", disse ele.
Nesse contexto, ele pediu para agir com "responsabilidade" e não "comprar votos políticos", o que, em sua opinião, é o que o governo está fazendo com os "pró-independência e separatistas" para que Pedro Sánchez permaneça em Moncloa e Montero continue como vice-presidente.
Bravo disse que terá de ser a ministra, depois de conversar com seus parceiros, a decidir se levará uma lei orgânica ao Congresso para dar cobertura legal a esse perdão da dívida, o que exigiria uma maioria absoluta para ir adiante, e deixou claro que, se necessário, o PP votará contra.
Perguntado se ele vê novos orçamentos mais próximos depois que Junts retirou esta semana a iniciativa de convidar Sánchez a se submeter a uma questão de confiança e anunciou o acordo com a ERC sobre o perdão da dívida, Bravo disse que tudo dependerá do que convier ao presidente.
FELIPE GONZÁLEZ CONVOCOU ELEIÇÕES PORQUE NÃO TINHA PGE
"É do interesse de Sánchez que haja orçamentos ou não? Se sim, haverá, porque ele poderá oferecer tudo e vender tudo; se ele não estiver interessado, então não haverá", resumiu. De qualquer forma, ele acredita que o líder do PSOE "já demonstrou que não se importa" com a existência ou não de contas públicas. "Dos sete anos em que ele esteve no cargo, houve apenas três com um orçamento e os outros quatro com prorrogações", lembrou, enfatizando que em 2019, como não conseguiu aprová-los, convocou eleições.
"Há cinco anos, não faz tanto tempo assim. Ele mudou seus critérios, mas bem, isso é normal. Felipe González convocou eleições em 1996 porque eles não apoiaram seus orçamentos. Ele entendeu que, se não os apoiavam, era porque ele não tinha apoio. Não sei, são maneiras diferentes de ver as coisas", disse o líder do PP.
Ele também lembrou que o líder de seu partido, Alberto Núñez Feijóo, ofereceu a Sánchez "seis pactos para construir um governo por dois anos e resolver os principais problemas deste país antes de convocar eleições novamente". "Ele decidiu que não. Ele teria que saber o que quer e a quem quer recorrer, certo? Mas acho que está ficando cada vez mais complicado para ele", concluiu.
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