A. Pérez Meca - Europa Press - Arquivo
MADRID 20 fev. (EUROPA PRESS) -
O Podemos explicou nesta quinta-feira que retirou o cofundador do partido, Juan Carlos Monedero, das atividades do partido quando tomou conhecimento, em 2023, de testemunhos sobre suposta violência sexual em que ele era o protagonista.
Foi o que disseram fontes do Podemos à Europa Press, que defende ter agido "desde o primeiro minuto" no momento em que tomou conhecimento das denúncias contra o cientista político, em setembro de 2023. Hoje mesmo o 'Eldiario.es' adiantou que o partido recebeu dois testemunhos contra Monedero nessas datas.
"A prioridade da organização sempre foi cumprir sua obrigação de ser um espaço seguro para todas as mulheres, bem como reconhecer aquelas que ofereceram seu testemunho e respeitar suas decisões", defenderam.
O partido explica que recebeu, na data mencionada, um e-mail com um testemunho sobre o comportamento de Monedero que poderia ser considerado violência sexual e no qual se solicitava que fossem tomadas medidas internas. O e-mail indicava uma série de comportamentos, como toques, por parte de Monedero.
Assim, a parte roxa ativou o procedimento e transferiu essa carta para a Comissão de Garantias, que ofereceu ao reclamante "uma maneira confidencial e segura de" fornecer testemunhos específicos dos fatos, embora especifique que "nenhuma resposta foi recebida" a essa comunicação, que foi enviada em duas ocasiões.
OUTRO TESTEMUNHO CHEGOU À GERÊNCIA E FORAM TOMADAS MEDIDAS.
Nas mesmas datas, vários membros da liderança do Podemos receberam outro testemunho de uma mulher vítima de violência sexual por parte de Monedero.
As fontes acima mencionadas enfatizaram que essa segunda mulher solicitou "expressamente" uma ação interna para impedir que Monedero participasse dos eventos da organização.
Dessa forma, apontaram que o Podemos agiu e deixou de convocar Monedero, que não ocupava nenhum cargo na liderança desde 2015 e que havia deixado o Instituto República e Democracia em maio de 2023, para atividades partidárias.
Finalmente, o Podemos reiterou seu compromisso de ser um "espaço seguro para todas as mulheres e de agir com força diante de qualquer sinal de violência, como fez neste caso".
MONEDERO DEIXOU O "THINK TANK" DO PODEMOS ANTES DAS DENÚNCIAS
Enquanto isso, Monedero declarou em uma carta publicada nas redes sociais que vem sofrendo "falsas acusações" há doze anos devido a "boatos" orquestrados para prejudicá-lo e que não acha "justo" ser inundado com acusações de suposto assédio sexual, quando ele é um defensor da lei 'Solo sí es sí' e tem certeza de que qualquer relacionamento é baseado no consentimento.
Por outro lado, a saída de Monedero do Instituto República y Democracia, o think tank, foi tornada pública em setembro de 2023 pelo próprio Monedero em uma mensagem nas redes sociais e ele afirmou que a decisão foi tomada em acordo com a secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, a quem ele agradeceu pela confiança durante esse período. Assim, ele não fez alusão a nenhum tipo de denúncia ou testemunho de suposta violência sexual.
No entanto, a saída de Monedero da fundação ocorreu, na verdade, em 19 de maio de 2023, antes das denúncias de suposta violência sexual, e ele o fez voluntariamente, conforme apurou a Europa Press.
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