Publicado 14/03/2025 08:42

Piqué nega ter pago ao Rubiales ou à RFEF pelo contrato da Supercopa na Arábia Saudita

Ele diz estar orgulhoso do contrato e descarta irregularidades na comissão que sua empresa recebeu dos sauditas.

O ex-jogador de futebol e empresário do FC Barcelona Gerard Piqué sai após testemunhar no Tribunal de Primeira Instância e Instrução Número 4 de Majadahonda, em 14 de março de 2025, em Majadahonda, Madri (Espanha). O juiz o está investigando por supostas
A. Pérez Meca - Europa Press

MADRID, 14 mar. (EUROPA PRESS) -

O ex-jogador de futebol e empresário do FC Barcelona Gerard Piqué negou nesta sexta-feira nos tribunais de Majadahonda ter pago ao ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) Luis Rubiales ou à entidade para que atuasse como intermediário dos sauditas no contrato de transferência da "Supercopa" de futebol masculino da Espanha para a Arábia Saudita.

Ele também negou irregularidades na comissão de 4 milhões por ano - a ser paga ao longo de 10 anos - que em 2020 seu grupo empresarial, Kosmos, concordou em receber da empresa pública saudita SELA pelo contrato assinado pela RFEF para levar a competição ao país árabe.

Fontes jurídicas confirmaram à Europa Press que foi isso que o ex-jogador disse em sua declaração como investigado perante o Tribunal de Primeira Instância e Instrução Número 4 de Majadahonda, onde chegou às 9h15. Tanto na chegada quanto na saída, ele preferiu não fazer nenhuma declaração às dezenas de jornalistas que o aguardavam desde o início da manhã na Avenida de los Claveles, número 12, em Majadahonda.

Piqué declarou na mesma linha que seu advogado defendeu na quinta-feira em um resumo que apresentou ao tribunal. A defesa forneceu 15 faturas emitidas pela Kosmos para a Federação de Futebol da Arábia Saudita (SAAF) em um valor total de 12 milhões de euros, bem como recibos bancários e uma cadeia de e-mails. Essa quantia foi paga em uma conta da Kosmos que o juiz bloqueou em abril passado como parte da investigação.

O advogado de Piqué argumentou que essa documentação evidencia "a normalidade da relação contratual e a aceitação dos serviços de intermediação efetivamente prestados", de acordo com o documento ao qual a Europa Press teve acesso.

De acordo com as fontes consultadas, nesta sexta-feira Piqué - que respondeu durante quase duas horas ao juiz, ao promotor e ao seu advogado - assegurou estar orgulhoso de ter obtido o que considera o melhor contrato da RFEF. Ele enfatizou que, se em algum momento deu a entender que havia sido contratado pela Federação para mediar a Supercopa, ele retificou isso em uma coletiva de imprensa.

Ele afirmou que o acordo inicial com o SELA foi verbal; especificamente, ele o descreveu como um "acordo de cavalheiros". Ele também explicou que, uma vez que a negociação foi consolidada, ele propôs à SELA fechar a posição da Kosmos e eles conversaram com a RFEF para obter essa proteção no contrato por meio de uma cláusula que os sauditas finalmente admitiram.

Como parte de sua declaração, ele também disse que teve problemas para receber o pagamento e que, em sua tentativa de resolver isso, pediu ajuda a Rubiales. Ele disse acreditar que o então presidente da RFEF conversou com os sauditas sobre o assunto.

No final de seu discurso, Piqué pediu a palavra visivelmente emocionado para dizer que sentia que era uma injustiça estar envolvido nesse caso por mais de um ano.

AS PROVAS QUE O JUIZ APRECIA

O ex-jogador de futebol compareceu ao tribunal 10 meses depois que a juíza Delia Rodrigo concordou em incluí-lo na lista de acusados, que inclui os ex-presidentes da RFEF Luis Rubiales e Pedro Rocha, que já testemunharam nesse caso em que são investigados supostos crimes de corrupção nos negócios, administração desleal e lavagem de dinheiro.

A juíza de instrução os acusou porque viu indícios criminais na comissão cobrada pela Kosmos à SELA. A juíza enfatizou que o contrato incluía adendos que estendiam os acordos por mais quatro anos, concordando em manter um bônus de sucesso em favor da Kosmos durante os anos da extensão. "Em suma, para a RFEF terá significado, se o acordo for cumprido até seu final, uma renda de 400 milhões e para a empresa de Piqué 40 milhões", indicou o juiz.

Nessa linha, o investigador colocou o foco em uma cláusula que chamou de "essencial", por meio da qual a RFEF "tentou garantir o pagamento da comissão de 4 milhões de euros por ano em favor da Kosmos, embora essa empresa formalmente fosse a comissária da SELA". Também foi destacado que, "no momento do contrato", Piqué era um jogador ativo do FC Barcelona, que participou da Supercopa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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