CONFEDERACIÓN AUTISMO ESPAÑA
MADRID 17 fev. (EUROPA PRESS) -
As pessoas com síndrome de Asperger exigiram uma maior conscientização sobre suas necessidades específicas, para que sua situação se torne visível "além dos rótulos diagnósticos", tudo isso durante uma jornada que contou com a participação de três pessoas do espectro do autismo, realizada em função do Dia Internacional da Síndrome de Asperger, que é comemorado nesta terça-feira.
O psicólogo da área de Pesquisa da Confederação Espanhola de Autismo, Guillermo Benito Ruiz, lembrou que a categoria da síndrome de Asperger surgiu em 1993 na classificação internacional de doenças e desapareceu em 2013, pois foi comprovado que havia "certa sobreposição" com o autismo e, desde então, fala-se da condição como uma "entidade mais ampla, como um espectro no qual há pessoas com capacidades, interesses e necessidades de apoio muito diferentes".
É por isso que, apesar de essa categoria clínica não existir mais, a síndrome de Asperger "continua a gerar um senso de identidade e segurança para as pessoas que, até 2013, receberam esse diagnóstico".
"Minha maneira de entender o mundo e de entender e processar emoções é diferente. O diagnóstico me ajudou a me conhecer melhor e a conhecer meus pontos fortes e onde posso melhorar", disse Ainhoa Castaño Martos (22 anos), que foi diagnosticada aos 17 anos e recebeu o Prêmio Dona e o prêmio de melhor aluno da Catalunha.
Ela também explicou que, até a adolescência, não demonstrava interesse em se socializar, portanto suas habilidades eram "bastante nulas" e ela tinha de contar com sua irmã mais nova para descobrir "o que as pessoas com quem interagia queriam dizer", pois em muitas ocasiões ela conseguia entender gestos ou expressões faciais.
Martos, estudante de duas graduações em engenharia e que torna sua condição visível em sua conta no Instagram, explicou que "ter autismo me faz chegar a conclusões diferentes e, no mundo da engenharia, isso é muito bom, porque a diversidade é altamente valorizada, já que foi visto que os grupos, quanto mais diversificados são, melhores resultados obtêm".
Por outro lado, María Oviedo Egido, 36 anos, que foi diagnosticada aos 14 anos na Asociación Autismo Burgos, detalhou que "naquela época eu era uma das poucas meninas diagnosticadas", porque "nós, mulheres, nos camuflamos mais e imitamos o comportamento dos outros, um pouco como forma de autodefesa".
Da mesma forma, ela descreveu que o assédio sofrido em sua fase educacional "foi brutal", de modo que ela acabou associando os estudos "à dor", razão pela qual não cursou o bacharelado nem foi para a universidade, embora tenha conseguido fazer cursos de comunicação social (culinária e gastronomia e costura e moda).
"Todo dia para mim é um pequeno desafio e consigo pequenas vitórias, coisas que pensei que nunca faria", concluiu Egido, que destacou que gosta de pintar e que teve a oportunidade de expor alguns de seus trabalhos nos Estados Unidos e em vários países europeus.
O usuário da Associação Astrade, Pedro González Carballo, de 32 anos, contou como o diagnóstico o ajudou a "aceitar-se mais como era", incentivando-o a desenvolver seus projetos pessoais, como um blog informativo sobre História - ele cursou uma graduação nessa disciplina -, no qual tenta "combinar o que aprendeu ao longo dos anos e adaptá-lo ao formato de fácil leitura para tornar o conteúdo mais acessível às pessoas com deficiência".
Quanto à importância do apoio, Carballo disse que ele é "fundamental", especialmente o de sua família, irmãos e associações.
"É importante intervir o quanto antes para desenvolver habilidades e atender aos nossos interesses específicos", concluiu.
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