MPI OF ANIMAL BEHAVIOR/ MAËLAN TOMASEK
MADRID, 19 fev. (EUROPA PRESS) -
Uma série de experimentos concluiu que os peixes que vivem na natureza são capazes de discriminar entre humanos e pessoas submersas com base em sinais visuais externos.
Durante anos, os mergulhadores científicos de uma estação de pesquisa no Mar Mediterrâneo tiveram um problema: em algum momento durante cada temporada de campo, os peixes locais os seguiam e roubavam alimentos destinados a recompensas experimentais. É interessante notar que esses peixes selvagens pareciam reconhecer o mergulhador específico que havia pegado o alimento anteriormente e optavam por segui-lo sozinho, ignorando os outros mergulhadores.
Para descobrir se isso era verdade, uma equipe do Max Planck Institute for Animal Behaviour, na Alemanha, realizou uma série de experimentos usando diversos equipamentos de mergulho.
Os experimentos foram projetados para responder a uma pergunta nunca antes feita aos peixes selvagens: eles são capazes de distinguir as pessoas? Em geral, há poucas evidências científicas de que os peixes possam reconhecer os seres humanos. Uma espécie criada em cativeiro, o peixe arqueiro, foi capaz de reconhecer imagens de rostos humanos geradas por computador em experimentos de laboratório. "Mas ninguém nunca se perguntou se os peixes selvagens têm a capacidade, ou mesmo a motivação, para nos reconhecer quando entramos em seu mundo subaquático", disse Maëlan Tomasek, estudante de doutorado do Instituto Max Planck de Comportamento Animal e da Universidade de Clermont Auvergne, na França, em um comunicado.
A pesquisa constatou que os peixes não apenas reconhecem humanos individualmente, mas seguem mergulhadores específicos que eles sabem que os recompensarão. Essa descoberta dá crédito à possibilidade de que os peixes possam ter relacionamentos diferenciados com humanos específicos.
CONDIÇÕES DO EXPERIMENTO
A equipe de pesquisa realizou o estudo a oito metros de profundidade em um local de pesquisa no Mar Mediterrâneo, onde as populações de peixes selvagens se acostumaram à presença de cientistas. Seus experimentos foram realizados em águas abertas e os peixes participaram dos testes como "voluntários que podiam ir e vir quando quisessem", explica Katinka Soller, estudante de pós-graduação do Instituto Max Planck de Comportamento Animal e coautora do estudo com Tomasek.
A primeira fase experimental, o treinamento, testou se o peixe poderia aprender a seguir um mergulhador individual. A mergulhadora, Soller, começou tentando atrair a atenção dos peixes locais; ela usava um colete vermelho brilhante e alimentava os peixes enquanto nadava a uma distância de 50 metros. Com o tempo, Soller eliminou os sinais evidentes até vestir um equipamento de mergulho simples, manter a comida escondida e alimentar os peixes somente depois que eles a seguissem por 50 metros.
Das dezenas de espécies de peixes que habitam a estação marinha, duas espécies de dourado, em particular, participaram voluntariamente das sessões de treinamento. As douradas são mais conhecidas por nós como peixes que compramos para comer, mas surpreenderam os cientistas com sua curiosidade e disposição para aprender. "Quando entrei na água, foi uma questão de segundos até vê-los nadando em minha direção, parecendo surgir do nada", diz Soller. Não apenas os sargos estavam aprendendo a segui-la, mas os mesmos indivíduos apareciam dia após dia para participar das aulas. Soller até começou a nomeá-los: "Havia o Bernie, com duas escamas prateadas brilhantes nas costas, e o Alfie, que tinha uma mordida na barbatana caudal", diz ela.
Após 12 dias de treinamento, cerca de 20 peixes estavam seguindo Soller de forma confiável nos mergulhos de treinamento e ela conseguia reconhecer vários deles por suas características físicas. Ao identificar os peixes individuais que participavam do experimento, o cenário foi preparado para a próxima fase experimental: testar se esses mesmos peixes conseguiam distinguir Soller de outro mergulhador.
Dessa vez, Soller mergulhou com Tomasek, cujo equipamento de mergulho era ligeiramente diferente do dela, especialmente em algumas partes coloridas da roupa de mergulho e das nadadeiras. Os dois mergulhadores começaram no mesmo ponto e depois nadaram em direções diferentes. No primeiro dia, os peixes seguiram os dois mergulhadores igualmente. "Era possível vê-los lutando para decidir quem perseguir", diz Soller.
Mas Tomasek nunca alimentava os peixes que o seguiam e, a partir do segundo dia, o número de peixes que seguiam Soller aumentou significativamente. Para confirmar que os peixes estavam aprendendo a reconhecer o mergulhador correto, os pesquisadores se concentraram em seis peixes do grande grupo para estudá-los individualmente e descobriram que quatro deles apresentaram fortes curvas de aprendizagem positivas durante todo o experimento. "Esse é um resultado interessante porque mostra que os peixes não estavam seguindo Katinka simplesmente por hábito ou porque havia outros peixes lá", diz Tomasek. "Eles estavam cientes dos dois mergulhadores, testando um ao outro e aprendendo que Katinka produzia a recompensa no final do nado."
Mas quando Soller e Tomasek repetiram os testes, desta vez com o mesmo equipamento de mergulho, os peixes não conseguiram distingui-los. Para os cientistas, essa foi uma forte evidência de que os peixes haviam associado as diferenças no equipamento de mergulho, provavelmente as cores, a cada mergulhador. "Quase todos os peixes têm visão colorida, portanto, não é de surpreender que o dourado tenha aprendido a associar o mergulhador correto com base em manchas coloridas no corpo", diz Tomasek.
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