Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo
Eles concordam em vincular o cancelamento da dívida à reforma do sistema de financiamento.
MADRID, 15 fev. (EUROPA PRESS) -
Especialistas em financiamento regional de vários grupos de reflexão econômica se manifestaram a favor da introdução de melhorias no cálculo ajustado da população usado para determinar o dinheiro recebido por cada comunidade autônoma, como, por exemplo, levar em conta o envelhecimento da população.
Essa foi a opinião desses especialistas em declarações à Europa Press sobre o Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF) a ser realizado em 26 de fevereiro, que deverá tratar apenas do cancelamento da dívida, embora as comunidades do PP tenham garantido que também abordarão a reforma do financiamento.
Nesse contexto, os pesquisadores econômicos coincidiram em vincular o cancelamento ou a reestruturação da dívida com a reforma do sistema de financiamento regional, que está pendente de renovação há uma década.
O diretor da Fundación de Estudios de Economía Aplicada (Fedea), Ángel de la Fuente, considera "difícil" chegar a um acordo sobre os critérios para o cálculo da população ajustada, dadas as discrepâncias entre as regiões, já que alguns estão pedindo a introdução de novas variáveis, como despovoamento ou orografia.
PEQUENOS AJUSTES
No entanto, De la Fuente acredita que é possível fazer "pequenos ajustes", mas garantiu que a margem de melhoria "não é muito grande e não teria muito impacto no resultado final". "O mais importante não tem a ver com a população ajustada, mas com a reforma do sistema, na qual há muitas coisas a serem feitas", disse o doutor em economia.
Desiderio Romero, professor de Economia Aplicada da Universidade Rey Juan Carlos e pesquisador do centro de pesquisa Funcas, disse que é necessário levar em conta "como a população espanhola mudou" e apontou o impacto dos idosos nos gastos.
Romero enfatizou que nem todas as comunidades concordam com os mesmos critérios, dando como exemplo as diferenças em termos de despovoamento, embora ele considere "razoável revisar as ponderações", incluindo "coletar os dados mais recentes sobre a distribuição da população para que o envelhecimento seja bem ponderado".
UM BENEFÍCIO COMUM
Santiago Lago, professor de Economia Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela e também pesquisador da Funcas, argumentou que a reforma "deve buscar uma melhoria global" para o benefício de todas as regiões.
"Os recursos que cada uma recebe no final são um elemento importante, mas não o único", esclareceu, destacando também que os dados mostram que os ganhos devem se concentrar em determinadas regiões autônomas, mas sem que "ninguém saia perdendo", pois afirmou que "há casos de subfinanciamento evidente e outros em que os custos dos serviços são subestimados e é aí que se deve observar o maior aumento de recursos".
REFORMA, "MAIS RELEVANTE" DO QUE A DÍVIDA
Sobre o cancelamento da dívida, uma proposta que o governo estendeu a todas as comunidades como resultado de seu pacto com a ERC para um financiamento singular da Catalunha, Ángel de la Fuente expressou sua oposição: "Eu não faria isso em nenhum caso", esclarecendo que, "se tiver que ser feito, é lógico que deve ser negociado ao mesmo tempo que a reforma do sistema". "Isso dá mais margem de manobra para se chegar a um acordo", admitiu ele.
Desiderio Romero concordou que o perdão da dívida regional "deve estar vinculado" à reforma, embora não tenha sido muito otimista a esse respeito. "Devem ser tomadas medidas, o problema é que estamos esperando há muito tempo pela reforma do sistema", acrescentou.
Por sua vez, Santiago Lago observou as diferenças entre o cancelamento e a reforma do financiamento, embora tenha admitido que há uma certa relação entre os dois porque "em alguns casos, o acúmulo excessivo de dívidas se deveu a problemas de subfinanciamento". Entretanto, ele acredita que a mudança do modelo de financiamento regional é "comparativamente mais relevante".
RETIRANDO GRADUALMENTE O FLA
Em outra questão, os três especialistas em economia concordam em falar sobre os pagamentos por conta no Conselho de Política Fiscal e Financeira, um assunto que ficou de fora do último decreto geral aprovado pelo governo.
Eles também concordam com a eliminação gradual de mecanismos extraordinários de financiamento, como o Fundo de Liquidez da Comunidade Autônoma (FLA), e estão comprometidos com o financiamento da dívida das regiões autônomas nos mercados e com a exploração de outras ferramentas.
Com relação à possibilidade de incorporar fenômenos naturais, como o dana de outubro passado, à reforma do financiamento, os especialistas consultados pela Europa Press expressaram suas diferenças.
Ángel de la Fuente se opõe à incorporação desse critério e é a favor de uma ajuda específica para esse tipo de emergência. Por outro lado, Desiderio Romero considera razoável a proposta de levar em conta essas catástrofes, enquanto Santiago Lago defendeu o recurso a "instrumentos em escala nacional ou europeia", como o Consórcio de Compensação de Seguros.
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