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Ele defende a "prudência" em relação à Ucrânia e se refere à "lei europeia" sobre a política de migração.
MADRID, 18 fev. (EUROPA PRESS) -
O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, chegará às eleições deste domingo enfraquecido, mas sem perder a esperança: o líder do Partido Social-Democrata (SPD) está empenhado em "ter fé" e concentrar seus esforços em um possível retorno que lhe permita deter a ascensão da direita na Alemanha.
O ex-vice-chanceler e ex-ministro das finanças do governo de Angela Merkel não parece ter tudo do seu jeito. As pesquisas de intenção de voto pintam um quadro insatisfatório, caracterizado pela vitória do bloco conservador União Democrática Cristã/União Social Cristã (CDU/CSU), que lidera as pesquisas à frente da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita.
Scholz, que está em terceiro lugar e insiste que está procurando um golpe de sorte apesar do desgaste, diz que "basear a política em pesquisas nunca é uma boa ideia". "Já ganhei várias eleições em minha vida política, embora as pesquisas não sugerissem isso", lembra ele de sua vitória surpreendente em 2021, quando também era o terceiro favorito, mas conseguiu derrotar o bloco conservador.
Foram justamente essas eleições que deram aos social-democratas seu melhor resultado eleitoral desde 2005, tornando-os a força mais representada no Bundestag, a câmara baixa do parlamento alemão.
Apesar das dúvidas e das vozes contrárias à sua candidatura, Scholz insistiu, nos últimos meses, em sua capacidade como político e decidiu, contra todas as probabilidades, seguir em frente com sua campanha. Ele reiterou a importância de uma eleição "honesta". "Para o SPD e para mim, é importante apresentar ideias pragmáticas e realistas sobre como a Alemanha pode realmente progredir", disse ele.
O chanceler, que foi membro do parlamento por treze anos e também foi prefeito da cidade de Hamburgo, terá de enfrentar neste fim de semana o enfraquecimento causado pelos últimos anos no cargo, além dos resultados ruins obtidos nas eleições locais de 2024 na Turíngia e na Saxônia, onde a AfD e a CDU venceram, respectivamente.
Nesse sentido, a vitória dos socialistas em Brandemburgo - ainda que reduzida - também não foi suficiente para melhorar sua imagem, apesar de ter permitido que Scholz se oxigenasse em seu ponto mais baixo. As dúvidas sobre o futuro da coalizão só aumentaram nos meses seguintes, até a queda do governo depois que o Partido Liberal deixou a coalizão.
CRISE E DIFERENÇAS
Scholz, cuja candidatura chegou a ser questionada em favor do atual ministro da Defesa, Boris Pistorius, teve que lidar com os problemas econômicos do país - atolado em recessão - e, ao mesmo tempo, enfrentar a crise de identidade dentro de seu próprio partido e os problemas internos da coalizão.
O governo tripartite de social-democratas, liberais e verdes entrou em colapso em novembro justamente por causa das divergências entre Scholz e seu ministro das finanças e líder do Partido Liberal, Christian Lindner, que culminaram com a saída dele e de seu partido do governo de coalizão.
Depois de três anos à frente de uma coalizão que passou por momentos turbulentos, o chanceler continua optando pela "prudência" em relação à invasão russa na Ucrânia, uma questão na qual ele procura se distanciar do desafiante da União Democrata Cristã (CDU), Friedrich Merz.
Embora concorde com o presidente dos EUA, Donald Trump, de que a guerra "deve terminar o mais rápido possível", ele enfatizou que isso não significa que se deva aceitar, sob essa premissa, que as fronteiras da Ucrânia "devam ser movidas à força" ou que a Ucrânia ou a Europa devam ser dispensadas como parceiras nas negociações para acabar com a guerra.
POLÍTICA INTERNA E SEGURANÇA
O chanceler, que agora tem 67 anos, pede pensões e salários mais altos, ao mesmo tempo em que defende um teto para novos aluguéis. Além disso, ele disse que, embora as relações com os Estados Unidos tenham sido "um seguro de vida para a Alemanha por décadas", a possível interferência de um vice-presidente como JD Vance em questões internas, como a campanha eleitoral, deve ser rejeitada.
É por isso que o político alemão, que cresceu em Hamburgo e iniciou sua carreira política aos dezessete anos de idade, depois de se filiar ao SPD, insiste em descartar a possibilidade de um governo com os conservadores após as eleições, dadas as crescentes diferenças que os separam e independentemente dos resultados.
O apoio aos conservadores quase não se moveu nas pesquisas desde que Scholz dissolveu o parlamento e convocou as eleições para novembro de 2024, dando a Merz quase 30% dos votos, à frente da candidata da AfD, Alice Weidel, que teria 20%. O SPD e os Verdes receberiam 16% e 13% dos votos, seguidos pela Esquerda (Die Linke) com 7%.
O aumento da popularidade da extrema direita reabriu os debates na Alemanha sobre a extrema direita, a migração, a economia e o relacionamento com a Rússia. A questão da migração continua sendo uma grande preocupação para o eleitorado alemão, embora Berlim tenha insistido que o país precisa de mão de obra estrangeira qualificada para preencher as lacunas em seu mercado de trabalho à medida que a população envelhece, uma situação que compartilha com outros países da UE.
Nesse sentido, o chefe do governo alemão enfatizou a importância de defender a "lei europeia" em detrimento das políticas populistas e lamentou que o endurecimento das políticas migratórias possa violá-la. Suas palavras se chocam com as de Merz, que defende seu plano vigoroso para lidar com essa questão e claramente tem o apoio da AfD.
A oposição, apoiada pela extrema direita, tem usado ataques em solo alemão nos últimos meses para pressionar por medidas mais rígidas contra os migrantes. O candidato da CDU fez disso um dos pilares de suas propostas políticas, especialmente após o ataque a faca que matou um homem e um menino de dois anos na cidade de Aschaffenburg no final de janeiro.
A situação só piorou depois que um homem matou duas pessoas e feriu mais de 30 outras em um atropelamento múltiplo na cidade de Munique na semana passada. O ataque fez com que o próprio Scholz mudasse sua retórica sobre a questão da migração e até defendesse que o principal suspeito, um afegão de 24 anos, deveria ser deportado depois de cumprir sua pena de prisão.
"O autor do crime não pode contar com nenhuma clemência. Ele deve ser punido e deve deixar o país", disse ele, aproximando-se assim das posições de direita do SPD e apesar do fato de que o agressor residia legalmente no país e tinha um contrato de trabalho válido.
Em suma, Scholz parece ter pouca chance de renovar o poder, mesmo que seu partido finalmente consiga formar parte de um governo de coalizão com os conservadores.
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