MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo que reconstruiu as chuvas extremas na Arábia descobriu que as chuvas na região eram cinco vezes mais extremas há apenas 400 anos.
Os resultados do estudo, liderado pela Escola Rosenstiel de Ciências Marinhas, Atmosféricas e da Terra da Universidade de Miami, sugerem que os últimos 2.000 anos foram muito mais úmidos e que o clima da região se assemelhava a uma savana com vegetação, onde leões, leopardos e lobos perambulavam, em oposição ao deserto hiperárido de hoje. O estudo foi publicado em 21 de fevereiro na revista Science Advances.
FENÔMENOS EXTREMOS
"Como grandes projetos de desenvolvimento, como o NEOM na Arábia Saudita, continuam a remodelar a paisagem, essas descobertas ressaltam a necessidade crítica de melhorar a resiliência climática e a preparação para desastres a fim de enfrentar a crescente ameaça de eventos climáticos extremos na região", disse o principal autor do estudo, Sam Purkis, professor e presidente do Departamento de Geociências Marinhas da Rosenstiel School da Universidade de Miami, em um comunicado.
Usando um veículo operado remotamente (ROV) a mais de 1,6 km de profundidade, implantado a partir do navio de pesquisa OceanXplorer, a equipe de pesquisa extraiu núcleos de sedimentos de uma piscina de salmoura de águas profundas no Golfo de Aqaba, uma extensão norte do Mar Vermelho. A química da salmoura preserva as camadas de sedimentos intactas, fornecendo um registro único e altamente preciso das tendências de chuva do final do Holoceno.
HÁ DOIS SÉCULOS, CHOVIA O DOBRO DO QUE CHOVE HOJE
Eles descobriram que os últimos 2.000 anos na Arábia foram muito mais úmidos, pois a região já foi uma savana com vegetação e, há cerca de 200 anos, a quantidade de chuva era o dobro da atual.
"Esse é um registro fundamental para completar a história climática do Oriente Médio. O que ele nos diz é que o clima, tanto a média quanto os extremos, pode mudar drasticamente nessa região, e a suposição de estabilidade climática de longo prazo no desenvolvimento futuro não é boa", disse Amy Clement, professora do Departamento de Ciências Atmosféricas da Escola Rosenstiel da Universidade de Miami.
O Oriente Médio é considerado um ponto crítico do clima, com o aumento das inundações repentinas causadas pelas chuvas torrenciais de inverno, intercaladas com secas severas, causando caos generalizado e desastres humanitários na Arábia.
A variabilidade da precipitação no Holoceno tardio destaca a necessidade de uma melhor preparação para inundações repentinas e secas e uma compreensão das tendências hidroclimáticas futuras à medida que o Oriente Médio se urbaniza rapidamente. As inundações catastróficas na Península Arábica no inverno de 2024 destacam a urgência de estudar a frequência e os fatores desencadeantes desses eventos climáticos extremos.
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