Francisco J. Olmo - Europa Press
Ele lembra que o cancelamento da dívida "não substitui de forma alguma" o debate sobre o financiamento regional.
MADRID, 28 fev. (EUROPA PRESS) -
A primeira vice-presidente do governo, ministra das Finanças e secretária-geral do PSOE na Andaluzia, María Jesús Montero, insistiu que "é claro" que a economia de juros gerada pelo cancelamento da dívida pode ser investida em gastos sociais, ao contrário do que afirmam as comunidades autônomas do PP. Ela também lembrou que o debate sobre o perdão da dívida "não substitui" o debate sobre a reforma do sistema financeiro.
"É claro que ela (a economia de juros) pode ser gasta em qualquer coisa que a comunidade autônoma considere. É como quando você paga os juros da sua hipoteca, e depois pode gastá-los em educação, dependência e outros assuntos, obviamente dentro da estrutura das regras fiscais, como sempre", disse em uma entrevista no programa 'La hora de la 1' da TVE, captada pela Europa Press.
Montero defendeu que o perdão da dívida é "um compromisso com os territórios", que ela não tem dúvidas de que "todas" as comunidades do PP aceitarão, bem como uma ferramenta que o Estado tem ao assumir parte da dívida para liberar recursos que podem ser usados para gastos sociais.
"Pouco se fala sobre isso, mas atualmente as comunidades autônomas não podem ir aos mercados, elas dependem do Estado para obter financiamento", continuou em sua explicação sobre a importância do cancelamento, para depois censurar o PP por rejeitar uma medida que seria benéfica para as comunidades.
Em sua opinião, os 'populares' se opõem a ela seguindo as diretrizes de 'Genova' em sua estratégia de "oposição a tudo". "Eu coloco paus na roda do governo para qualquer iniciativa, mesmo que ela me beneficie. Ou seja, atiro pedras contra minhas próprias costas, porque acredito que dessa forma tenho mais condições de impedir que esse governo avance, que consiga realizar conquistas, que consiga obter êxitos. Isso é o que acontece", denunciou.
Sobre esse ponto, ela lamentou a oposição do governo andaluz ao perdão da dívida depois de descrevê-lo como "migalhas", já que, de acordo com Montero, a Andaluzia receberia o maior montante de perdão da dívida em termos líquidos e o maior montante de dívida perdoada por habitante.
UM DEBATE COMPATÍVEL COM A REFORMA DO FINANCIAMENTO
Depois de enfatizar que a medida seria benéfica para as gerações futuras, ela afirmou que o cancelamento da dívida não substitui o debate sobre financiamento, pois "tem que ser paralelo" à reforma da receita recebida pelas comunidades autônomas.
Questionada sobre quando a reforma do financiamento será abordada, a Ministra das Finanças respondeu que um novo modelo está sendo trabalhado "discretamente" e que os territórios têm até 14 de março para fornecer dados à última proposta do Ministério sobre a população ajustada.
"Não paramos de trabalhar, mas percebemos que toda vez que colocamos um documento sobre a mesa há uma comunidade autônoma, porque todas elas aspiram a uma posição máxima, que diz que esse documento é prejudicial a elas", disse ela, ressaltando que a melhor maneira de chegar a um acordo é se o trabalho for feito pelas "partes em geral".
Por essa razão, disse ao PP de Alberto Núñez Feijóo que o governo "continua estendendo a mão" para sentar-se para negociar a reforma do financiamento, já que "nunca foi resolvido no Conselho de Política Fiscal e Financeira".
PARA ESCLARECER AS RESPONSABILIDADES NO "CASO KOLDO".
Depois que a ex-namorada do ex-ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, reconheceu nesta quinta-feira no Supremo Tribunal que não trabalhava, mas era paga por duas empresas públicas, Montero disse que sente "dor" no caso envolvendo o ex-político socialista, já que, além de supostas "irregularidades", ela é acusada de suposto "comportamento pessoal" que "não corresponde" aos "princípios e valores" do ministro.
"Não posso dizer outra coisa que não seja mágoa, porque quando alegadamente se revelam certas irregularidades, certos comportamentos pessoais que não correspondem, pelo menos, aos meus princípios e aos meus valores, sinto dor e mal-estar", lamentou.
Com isso, ele observou que as administrações "têm que tomar nota" dessas questões e que, portanto, se o ex-companheiro de Ábalos "cometeu alguma irregularidade, faltou ao trabalho sem justificativa ou houve algum tipo de desordem", o governo "exigirá a prestação de contas".
"Assim como fizemos com o Sr. Ábalos, que foi imediatamente convidado a se demitir, que foi instruído a dar um passo atrás e, no final, também tivemos que expulsá-lo do partido, com muita dor, porque ele era nosso secretário de organização, o mesmo acontece no contexto das empresas públicas", concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático