Daniel Naupold/dpa - Arquivo
BRUXELAS 13 fev. (EUROPA PRESS) -
Os ministros da Defesa da OTAN pediram nesta quinta-feira que a Ucrânia faça parte das negociações de paz anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após um apelo com o presidente russo, Vladimir Putin, para iniciar um processo "imediatamente" para acabar com o conflito na Ucrânia, um processo no qual a Europa também deve desempenhar um papel.
O anúncio de conversações iminentes sobre a Ucrânia abalou a reunião dos ministros da defesa aliados em Bruxelas, depois de na véspera, na primeira reunião com o novo secretário da defesa dos EUA, Pete Hegseth, este ter avançado que a Administração Trump não considera "realistas" algumas das exigências da Ucrânia, como a sua adesão à OTAN ou o regresso às fronteiras de 2014, para uma solução negociada para uma guerra que está prestes a completar três anos.
Falando antes da reunião, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, insistiu que todos os membros da OTAN querem a paz na Ucrânia "mais cedo ou mais tarde" e que todos querem colocar Kiev na "melhor posição possível" para garantir um resultado bem-sucedido nas negociações.
O ex-primeiro-ministro holandês enfatizou que o resultado das negociações deve ser "duradouro" e que não pode haver um "Minsk 3" e Putin retomando o território ucraniano no futuro, em referência aos pactos de Minsk que trouxeram um falso fim ao conflito no leste da Ucrânia em 2014.
Após o terremoto político causado pelo anúncio de Trump, Rutte se concentrou em apontar que há uma convergência entre os aliados de que a paz na Ucrânia deve ser "duradoura" e que um "bom resultado" deve ser alcançado nas negociações. Ele também minimizou o fato de que o presidente ucraniano Volodimir Zelenski só foi notificado após a ligação com o Kremlin, dizendo que ele foi incluído nos contatos e que "é crucial" que ele esteja envolvido nas negociações sobre a Ucrânia.
Ele também justificou a reticência de Washington em relação à filiação de Kiev à OTAN, dizendo que agora era hora de se concentrar nas "grandes questões", para iniciar as negociações e chegar a um acordo "que não se desfaça".
A EUROPA NÃO DEVE SER EXCLUÍDA DAS NEGOCIAÇÕES
Por sua vez, vários ministros da defesa aliados expressaram sua cautela em relação às negociações anunciadas pela Casa Branca, ressaltando que "não pode haver negociações sem a Ucrânia", conforme defendido pelo ministro da defesa britânico, John Healey, que afirmou que "a voz da Ucrânia deve estar no centro de qualquer negociação".
O objetivo deve ser uma paz "duradoura" e que a guerra não retorne ao território ucraniano, disse Healey. "Não devemos nos esquecer de que a Rússia continuará a ser uma ameaça além da Ucrânia", alertou.
Seu colega sueco, Pal Jonson, destacou que era "natural" que os europeus estivessem presentes nas negociações de paz, depois de enfatizar que a Europa fornece 60% da ajuda à Ucrânia diante da agressão russa.
"A Europa tem que fazer parte dessas negociações, não é algo questionável. Caso contrário, não será a paz duradoura que queremos ver", enfatizou o ministro estoniano Hanno Pevkur, na mesma linha, ao defender o papel da UE na aplicação de sanções contra a Rússia, na integração de Kiev ao bloco e no fornecimento de ajuda militar e financeira diante da agressão russa.
Da mesma forma, Pevkur indicou que devem ser os ucranianos a decidir quando iniciar as negociações de paz e que seus parâmetros devem ser levados em conta no processo a ser iniciado com Moscou.
A ministra da Defesa da Lituânia, Dovile Sakaliene, insistiu que cabe aos europeus "deixar de lado ou corresponder às expectativas" para lutar pela Ucrânia e por sua própria liberdade. Ela alertou que o continente precisa aumentar seu peso militar e a produção de armas para se defender de ameaças futuras, observando que, se não trabalhar como um grupo em prol da democracia, os tempos mais sombrios estarão por vir.
Nesse sentido, advertiu sobre a "armadilha mortal" de pensar que Putin e Trump resolverão a segurança dos aliados europeus, e pediu que a situação seja um alerta e que a Europa se encarregue de sua defesa e decida sobre a situação no continente europeu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático