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Von der Leyen elogia o ritmo das reformas e vê a possibilidade de concluir a adesão em menos de cinco anos
MADRID, 24 fev. (EUROPA PRESS) -
Os líderes europeus que viajaram a Kiev na segunda-feira para oferecer seu apoio, coincidindo com o aniversário da invasão russa, reafirmaram seu apoio à adesão da Ucrânia à União Europeia, em uma frente comum a médio prazo que quiseram reforçar, da mesma forma que consideraram prematuro colocar sobre a mesa o debate lançado por vários governos a favor do envio de tropas ocidentais para o terreno.
A Ucrânia já tem o status de candidata à UE, mas esse é um processo sem prazos fixos e depende de uma série de capítulos e reformas que devem ser aprovados por Bruxelas. O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, pediu abertamente que o processo fosse "acelerado" e "sugeriu" o dia 1º de janeiro de 2030 como prazo, o que, segundo ele, significaria a abertura dos primeiros capítulos "nas próximas semanas".
Nesse sentido, ele destacou em uma coletiva de imprensa com os outros líderes convidados para uma conferência de ajuda em Kiev, e na presença do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e dos chefes da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e do Conselho, António Costa, que tudo é uma questão de "vontade política", também por parte do bloco da UE.
Von der Leyen, que viajou a Kiev acompanhada por quase todo o Colégio de Comissários, disse que estava "impressionada" com o ritmo em que as reformas estão progredindo, tendo em mente que a Ucrânia "está travando uma guerra pela sua sobrevivência". Costa também concordou que a Ucrânia está "abrindo novos caminhos" nesse processo.
Ambos, no entanto, quiseram ressaltar que esse é um processo baseado em mérito e requisitos, o que implica que Kiev não pode receber tratamento favorável. A chefe do executivo da UE sugeriu que, se um prazo fosse estabelecido, outros países também iriam querer "imediatamente" um cronograma preciso, mas quando questionada sobre as palavras de Nauseda, ela reconheceu que, no ritmo atual, a Ucrânia poderia aderir à UE "ainda mais cedo".
UNIDADE EUROPÉIA
A cúpula de segunda-feira também serviu para dar uma imagem de consenso e unidade em meio ao debate sobre possíveis negociações de paz. Os presentes concordaram que a Ucrânia, mas também a Europa, deve fazer parte do processo que o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na semana passada iniciou um degelo bilateral com Moscou em uma reunião sem a presença de Kiev, quer lançar.
Costa, que convocou uma cúpula extraordinária de chefes de Estado e de governo no dia 6 de março para se concentrar precisamente na Ucrânia, ressaltou que, embora a UE reconheça os esforços iniciados por Trump e espere que eles abram caminho para um diálogo "real", ao mesmo tempo ela também quer ressaltar que "somente a Ucrânia pode decidir quando as condições são adequadas para iniciar essas negociações".
Da mesma forma, e na medida em que a guerra afeta a segurança de todo o continente, ele acredita que é "necessário" que a Europa desempenhe um papel, sem que necessariamente tenha que se limitar à órbita da UE, e que poderia ser aberto a outros atores, como o Reino Unido e a Noruega.
Nesse sentido, Zelenski alertou que o futuro de todo o continente também está em jogo na Ucrânia, especialmente nos países do Leste Europeu ou vizinhos da Rússia que Moscou deseja continuar a influenciar. Ele teme o que pode acontecer "se a Ucrânia cair", um medo recorrente que levou a uma mobilização política especial nos países bálticos e nórdicos.
O eco se estende até mesmo ao Canadá, cujo primeiro-ministro, Justin Trudeau, destacou de Kiev que as tropas ucranianas estão lutando em defesa de valores comuns, como "soberania, independência e integridade territorial", um guarda-chuva básico em sua opinião. "Temos que estar unidos em torno de nossos valores", enfatizou ele em sua última aparição, na qual ressaltou que "o poder não é o que faz você estar certo".
ENVIO DE TROPAS
Os presentes, no entanto, preferiram contornar o debate sobre o possível envio de um contingente de manutenção da paz, levantado por líderes como Emmanuel Macron, da França, e Keir Starmer, da Grã-Bretanha. Zelenski disse que quaisquer negociações ocorreriam "a portas fechadas" - "para que os russos não estejam preparados", acrescentou.
O presidente lituano concordou que esse é um debate prematuro, entre outras razões porque seria necessário esclarecer qual seria o mandato dessa possível missão ou como ela poderia agir no caso de um rompimento do cessar-fogo, enquanto o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, disse que o objetivo essencial não deve ser perdido de vista e que são as forças ucranianas, que "são realmente as tropas no terreno", que devem ser apoiadas agora.
Por sua vez, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, não descartou "a priori" nenhuma possibilidade, mas também destacou que o mais importante no curto prazo é dar à Ucrânia "o que ela precisa". Na mesma linha, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, que é a favor de esperar por "negociações de paz genuínas", declarou que "passo a passo" era a coisa mais importante a curto prazo.
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