NASA/JPL-CALTECH - Arquivo
MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -
Cientistas testaram com sucesso um espectrômetro de massa em miniatura movido a laser que poderia ser levado a Marte para identificar traços de fósseis microbianos em depósitos de sulfato.
O dispositivo foi testado na Terra, demonstrando que pode detectar fósseis microbianos em amostras de gesso que são um análogo próximo às rochas de sulfato em Marte.
"Nossas descobertas fornecem uma estrutura metodológica para a detecção de biofósseis em minerais de sulfato marcianos, o que poderia orientar futuras missões de exploração de Marte", disse Youcef Sellam, estudante de doutorado do Instituto de Física da Universidade de Berna e primeiro autor do artigo na Frontiers in Astronomy and Space Sciences.
"Nosso espectrômetro de massa por ionização por ablação a laser, um protótipo de instrumento para voos espaciais, pode detectar com eficiência biofirmas em minerais de sulfato. Essa tecnologia poderia ser integrada aos futuros rovers ou landers de Marte para análise in situ.
Há bilhões de anos, a água em Marte secou. O gesso e outros sulfatos se formaram quando as poças evaporaram, deixando para trás minerais que se precipitaram da água e, potencialmente, fossilizando qualquer vida orgânica remanescente. Isso significa que, se micróbios como as bactérias vivessem lá, os traços de sua presença poderiam ser preservados como fósseis.
"O gesso foi amplamente detectado na superfície marciana e é conhecido por seu excepcional potencial de fossilização", explicou Sellam em um comunicado. "Ele se forma rapidamente, prendendo os microorganismos antes que ocorra a decomposição e preservando as estruturas biológicas e as biofirmas químicas."
Mas para identificar esses fósseis microbianos, precisamos primeiro demonstrar que podemos identificar fósseis semelhantes em locais onde sabemos que esses micróbios existiram, como as formações de gesso do Mediterrâneo que se desenvolveram durante a Crise de Salinidade Messiniana.
"A Crise de Salinidade Messiniana ocorreu quando o Mar Mediterrâneo foi separado do Oceano Atlântico", disse Sellam. "Isso causou uma rápida evaporação, o que fez com que o mar se tornasse hipersalino e depositasse camadas espessas de evaporitos, incluindo gesso. Esses depósitos fornecem um excelente análogo terrestre para os depósitos de sulfato marcianos."
Os cientistas selecionaram um instrumento que poderia ser usado em um voo espacial: um espectrômetro de massa em miniatura movido a laser, que pode analisar a composição química de uma amostra em detalhes tão finos quanto um micrômetro.
Os pesquisadores coletaram amostras de gipsita da pedreira de Sidi Boutbal, na Argélia, e as analisaram com um espectrômetro de massa e um microscópio óptico, seguindo critérios que podem ajudar a distinguir entre possíveis fósseis microbianos e formações rochosas naturais, como morfologia irregular, sinuosa e potencialmente oca, bem como a presença de elementos químicos necessários para a vida, material carbonáceo e minerais como argila ou dolomita, que podem ser influenciados pela presença de bactérias.
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