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MADRID 18 fev. (EUROPA PRESS) -
O governo do Japão descartou a possibilidade de participar da próxima cúpula do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, prevista para março, apesar das críticas ao país, o único no mundo que sofreu bombardeios atômicos.
O ministro das Relações Exteriores do Japão, Takeshi Iwaya, disse em uma coletiva de imprensa que Tóquio não participará da reunião, que reunirá os signatários do acordo em Nova York, apesar da insistência dos sobreviventes dos ataques norte-americanos a Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial.
Nesse sentido, ele defendeu o acordo de "contenção nuclear" de Tóquio com os Estados Unidos, uma aliança "essencial para defender a nação", conforme enfatizou ao anunciar que não participaria da reunião de cinco dias organizada pela ONU.
O ministro aproveitou a oportunidade para lembrar o perigo crescente que o país enfrenta, especialmente diante do aumento das tensões com a China, a Coreia do Norte e a Rússia, e enfatizou que "esse é um problema de segurança complicado".
"Participar dessa reunião poderia enviar a mensagem errada e constituir um agravante para a segurança nacional", disse ele, de acordo com a agência de notícias Kiodo.
O Japão, que não faz parte do tratado, tem estado sob a proteção do guarda-chuva nuclear dos EUA desde o período pós-guerra e também não compareceu às reuniões anteriores em 2022 e 2023. Essa terceira reunião está programada para ocorrer por ocasião do 80º aniversário do bombardeio atômico em agosto.
Itawa também disse que o governo enfatizou que a participação nesses eventos não garante "eficácia". "Temos que encarar a realidade de que estamos enfrentando uma corrida armamentista", disse ele, acrescentando que o tratado é "incompatível" com o conceito de "contenção nuclear" e "dificilmente obterá o consentimento dos Estados que possuem tais armas".
Ele disse que o Tratado de Não Proliferação Nuclear - que reconhece apenas o Reino Unido, a China, a França, a Rússia e os Estados Unidos como países detentores de armas nucleares - é a "única maneira universal de alcançar o desarmamento".
O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, prometeu trabalhar por "um mundo sem armas nucleares", como fizeram alguns de seus antecessores, especialmente depois que a organização Nihon Hidankyo - fundada por sobreviventes da bomba atômica - ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2024.
Shigemitsu Tanaka, sobrevivente do bombardeio atômico de Nagasaki e copresidente da ONG, alertou no mês passado, em entrevista à Europa Press, que o mundo está enfrentando a "crise nuclear mais iminente da história", especialmente devido à falta de comunicação entre os principais blocos políticos e ao aumento dos conflitos internacionais.
Ele pediu que o governo japonês parasse de minimizar o efeito da radiação e ratificasse o pacto "o mais rápido possível", a fim de avançar em direção a um mundo "livre de armas nucleares".
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