BARCELONA, 2 mar. (EUROPA PRESS) -
O historiador israelense Ilan Pappé previu que serão necessários "mais de 10 anos para iniciar um processo de construção de algo novo" na Palestina e ressaltou que é otimista a longo prazo, pois acredita que haverá uma reação que abrirá oportunidades para a construção de um novo sistema político.
Em entrevista à Europa Press, por ocasião da apresentação de seu último ensaio "A Brief History of the Israeli-Palestinian Conflict" (Uma breve história do conflito israelense-palestino) (Captain Swing), ele ressaltou que é mais pessimista a curto prazo: "Acho que nos próximos anos haverá, infelizmente, mais violência e uma tentativa israelense de levar adiante seus planos de anexação, expansão e genocídio".
Ele descartou a possibilidade de o presidente dos EUA, Donald Trump, levar adiante seu plano de comprar a Faixa de Gaza e expulsar os palestinos do território, pois acredita que a Jordânia e o Egito não estarão dispostos a isso e os próprios palestinos se oporão.
Pappé acredita que o que preocupa na postura de Trump não é "se ele pode ou não implementar essas ideias, mas que essas ideias contribuem para uma escalada da situação", acrescentando que Trump apoia as pessoas em Israel que acreditam ter o direito de limpar etnicamente a Palestina - literalmente.
CONFLITO INTERNO EM ISRAEL
Em seu livro, ele afirma que, antes da nova eclosão do conflito em 7 de outubro de 2023, Israel era um país à beira de uma guerra civil, e ele acredita que essa situação não mudou: "O conflito dentro da sociedade judaica continua tão intenso quanto antes da guerra e continuará assim, e não haverá uma única sociedade judaica coesa.
O historiador argumentou que há muitas diferenças entre os campos judaicos seculares e religiosos e alertou que muitos judeus seculares liberais estão deixando Israel, o que fará com que o país "se torne um estado cada vez mais teocrático, fascista e antidemocrático".
Pappé acredita que esses acontecimentos "contribuirão para o colapso do sionismo", o que, segundo ele, poderia abrir a porta para um futuro diferente para os palestinos, embora ele tenha enfatizado que isso poderia acontecer a longo prazo.
COLAPSO DA AUTORIDADE PALESTINA
O historiador também previu "o colapso da Autoridade Palestina, bem como de outras instituições que ajudaram Israel a manter a ocupação e a opressão", e observou que os atuais partidos palestinos, a Autoridade Palestina, o Fatah e o Hamas, não serão relevantes no futuro.
"Acredito que haverá outro tipo de política na Palestina, liderada por uma geração mais jovem, muito menos dividida e faccionalizada. Acho que ela pode representar um movimento de libertação muito mais representativo, com uma visão mais clara", disse ele.
Ele também observou que o Hamas agora tem apoio porque é "o único movimento que está lutando mais ativamente contra a ocupação", mas não porque os palestinos acreditam plenamente em sua visão teocrática.
SOLUÇÃO DE UM ESTADO
Pappé não vê uma solução de dois Estados como possível porque mais de 700.000 colonos judeus vivem atualmente na Faixa de Gaza e Israel não estará disposto a removê-los, e também porque ele acredita que esse caminho "só agrada a uma parte da população palestina e, acima de tudo, àqueles que vivem em Israel", portanto, ele acredita que a única solução é a de um único Estado.
"A única solução possível para mim é um único estado democrático baseado na igualdade, no qual todos são iguais, independentemente de sua nacionalidade, identidade étnica, gênero, etc.", e ele enfatizou que essa solução beneficiaria a todos porque, embora Israel seja mais poderoso agora, ele não precisa ser sempre mais poderoso, em sua opinião.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático