Publicado 17/02/2025 09:51

Extraordinária explosão cósmica permanece oculta por anos

A "notável" explosão cósmica XRT 200515 observada pelo Observatório de Raios X Chandra da NASA.
STEVEN DILLMANN

MADRID 17 fev. (EUROPA PRESS) -

Uma poderosa explosão de um misterioso objeto desconhecido fora de nossa galáxia passou despercebida durante anos nos arquivos do Observatório de Raios X Chandra da NASA.

Astrônomos liderados pelas Universidades de Stanford e Harvard acreditam que a "extraordinária" explosão cósmica - que eles descobriram com a ajuda da Inteligência Artificial - pode ser a primeira explosão de raios X já descoberta na Grande Nuvem de Magalhães (LMC), uma rara explosão de um magnetar - um dos objetos mais misteriosos do universo - ou algo completamente novo e inédito. As descobertas foram publicadas na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

"Você já folheou álbuns de fotos antigos e, de repente, encontrou algo fascinante escondido no fundo de uma foto que ninguém havia notado antes? Agora imagine fazer isso em uma escala cósmica", disse o pesquisador principal Steven Dillmann, estudante de doutorado da Universidade de Stanford, em um comunicado.

"Usando um novo método de aprendizado de máquina, analisamos mais de 20 anos de observações arquivadas do Observatório de Raios X Chandra da NASA e descobrimos uma extraordinária e poderosa explosão de raios X de um objeto desconhecido fora de nossa própria galáxia que passou despercebida por anos no vasto arquivo do Chandra: um verdadeiro evento de busca de agulha no palheiro."

Em 15 de maio de 2020, enquanto o Chandra estava observando os restos de uma estrela que explodiu na LMC (uma pequena galáxia vizinha da nossa Via Láctea), ele acidentalmente captou um flash de raios X brilhante e extremamente rápido de origem desconhecida.

Esse flash apareceu e desapareceu em poucos segundos, passou despercebido durante a observação inicial e, portanto, foi armazenado no grande arquivo do Chandra.

Diferentemente das abordagens tradicionais, o novo método de aprendizado de máquina usado no novo estudo conseguiu descobrir o chamado transiente de raios X extragaláctico rápido (FXT), que os pesquisadores chamaram de XRT 200515 em referência ao dia em que foi detectado pelo Chandra.

"O flash cósmico é particularmente interessante por causa de suas características incomuns, que são diferentes de qualquer outro FXT extragaláctico detectado anteriormente pelo Chandra", disse Dillmann.

"Ele produziu uma explosão inicial incrivelmente energética que durou apenas 10 segundos, enquanto outros duraram minutos ou horas. Isso foi seguido por uma explosão mais longa e menos energética que durou alguns minutos."

Como nem o Chandra nem qualquer outro telescópio registrou a fonte antes ou depois dessa explosão, sua verdadeira natureza permanece um mistério.

Os pesquisadores acreditam que uma explicação é que essa pode ser a primeira explosão de raios X descoberta na LMC. Esses são sistemas que envolvem duas estrelas: uma estrela morta pequena e superdensa (chamada de estrela de nêutrons) e uma estrela companheira normal orbitando ao seu redor.

A estrela de nêutrons é como um aspirador cósmico: sua poderosa gravidade puxa o gás da estrela companheira. Quando uma quantidade suficiente de gás se acumula na superfície da estrela de nêutrons, ela desencadeia uma enorme explosão termonuclear que libera uma intensa explosão de radiação de raios X.

Outra teoria é que poderia ser uma rara explosão gigante de uma magnetar distante (estrelas de nêutrons com campos magnéticos extremamente fortes). Essas chamas são alguns dos fenômenos mais explosivos do cosmos, liberando uma enorme quantidade de raios gama em um período muito curto.

Se o XRT 200515 for uma contrapartida de raios X desse fenômeno, será a primeira erupção magnetar gigante observada nesses níveis de energia de raios X.

A explicação final proposta pelos pesquisadores é que poderia ser um tipo de explosão cósmica até então desconhecido, que poderia revelar novas percepções sobre o Universo.

"Essa descoberta nos lembra que o espaço é dinâmico e está em constante mudança, e que fenômenos empolgantes estão sempre ocorrendo", diz Dillmann.

"Ela também demonstra o valor do uso da inteligência artificial para descobertas científicas em dados astronômicos arquivados: pode haver inúmeras outras descobertas esperando para serem reveladas nas observações que já fizemos.

Os pesquisadores estão agora refinando seu método de busca de sinais de planetas fora da Via Láctea, com base no trabalho inovador anterior liderado pela coautora Rosanne di Stefano, que identificou o primeiro candidato a planeta extragaláctico em potencial.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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