Diego Radamés - Europa Press - Arquivo
Ele descarta a possibilidade de se demitir se a redução das horas de trabalho não for adiante.
MADRID, 25 fev. (EUROPA PRESS) -
A segunda vice-presidente e ministra da Economia, Yolanda Díaz, afirmou que o aumento do orçamento de defesa da Espanha apenas "alimentará a extrema direita", razão pela qual ela pediu uma política externa e de defesa "própria" na Europa como uma questão de "urgência" e não uma "subordinada aos Estados Unidos".
"De fato, estamos em um processo de recessão geopolítica como nunca conhecemos antes, com guerras, com policrises. O cenário internacional é muito grave, mas acredito que não se trata de aumentar o orçamento de defesa, mas de reorganizar as forças de defesa que temos como Estados-Membros", disse Díaz na segunda-feira em uma entrevista à Cadena Ser, relatada pela Europa Press.
A esse respeito, quando perguntada se considera que a política de defesa de que a Espanha precisa pode ser executada com 1,28% do PIB, Díaz argumentou que, em termos orçamentários, se o governo dobrasse a dotação orçamentária, não seria possível implementá-la, "a menos que fizéssemos compras diretas de armas dos Estados Unidos", uma abordagem que ela não compartilha.
"Portanto, não poderíamos dobrar o orçamento de 1,2% para 2%, que é o compromisso assumido pelo Presidente do Governo, a menos que, como eu disse, o que fizéssemos fosse comprar armas diretamente dos Estados Unidos. Tenho certeza de que, neste momento e neste contexto, ninguém faria isso", explicou.
REDUÇÃO DAS HORAS DE TRABALHO
Quanto ao fato de ter apoio para levar adiante a redução da jornada de trabalho, Díaz não esclareceu, embora espere encontrar um parlamento que "seja capaz de destacar o que a redução da jornada de trabalho representa em termos de mudança".
No entanto, ela descartou categoricamente a possibilidade de renunciar caso a proposta de seu partido não seja levada adiante - um cenário que ela considerou caso a reforma trabalhista não fosse aprovada na câmara baixa - já que, em sua opinião, esse é um "debate muito importante" na Espanha.
Dito isso, a ministra do Trabalho relembrou a briga que teve com a ministra da Fazenda, María Jesús Montero, em relação à tributação do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) para aqueles que ganham o Salário Mínimo Interprofissional (SMI), fato que ela censurou seus parceiros de governo por terem descoberto "meia hora antes" em uma declaração divulgada pelo Tesouro e que veio de um Conselho de Ministros "no qual essa questão não foi questionada", disse ela.
"Se eu fizesse isso, sairia nas primeiras páginas dos jornais do meu país", afirmou ela, insistindo que não se envolve "em outras negociações".
"RESPEITAR OS DIREITOS HUMANOS".
Em outro assunto, a vice-presidente foi abordada sobre a demanda de Junts sobre a transferência de poderes de imigração para a Catalunha, uma questão que ela não quis aprofundar e se limitou a expressar sua defesa dos direitos humanos.
"Sou a favor do respeito aos direitos humanos, cumprindo a Constituição espanhola e as diretrizes sobre o assunto", disse ela.
Também em relação à Junts, no que diz respeito à retirada da questão de confiança em Pedro Sánchez, a ministra do Trabalho destacou que é "positivo" que se avance no cumprimento de acordos e em um marco de "confiança" tanto com a Junts quanto com qualquer partido político, ressaltou.
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