MADRID 14 fev. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Instituto Cajal do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), em colaboração com a Universidade de Harvard (EUA), descobriu um mecanismo "chave" pelo qual um tipo de células especializadas presentes no cérebro, chamadas células T reguladoras (Tregs), mantêm a saúde desse órgão, preservando a geração de neurônios e protegendo funções cognitivas como a memória.
Esse trabalho, publicado na revista 'Science Immunology', tem como objetivo aprofundar a compreensão do papel imunológico da estrutura que abriga essas células, as meninges, que contêm um ecossistema imunológico "único" responsável por suprimir a resposta imunológica, tanto fisiológica quanto patológica, para manter o equilíbrio imunológico, evitando respostas excessivas ou inadequadas, o que pode abrir "o caminho" para possíveis terapias que reduzam o comprometimento cognitivo.
"As Tregs meníngeas, conhecidas principalmente por sua capacidade de modular respostas inflamatórias, são reveladas neste estudo como guardiãs do equilíbrio imunológico no cérebro", disse o pesquisador José Luis Trejo, do CSIC no Instituto Cajal e um dos autores.
Os cientistas demonstraram que as Tregs meníngeas controlam a produção de interferon-gama ('IFN-?') pelos linfócitos locais e, quando essas células reguladoras são eliminadas, os linfócitos invadem o parênquima cerebral, composto principalmente de neurônios e células gliais, desencadeando a ativação de células gliais no hipocampo.
"Esse processo gera uma série de eventos adversos, como a morte de células-tronco neurais, a interrupção da geração de novos neurônios ou da neurogênese, bem como a perda de memória de curto prazo. As Tregs atuam, portanto, como um baluarte que mantém a inflamação local sob controle e permite que o hipocampo mantenha sua capacidade regenerativa", diz Trejo.
Essa descoberta destaca um "novo nível de interação" entre o sistema imunológico e o cérebro e abre linhas de pesquisa para tratar doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, ou distúrbios gerados pelo envelhecimento.
"O envelhecimento e as doenças neurodegenerativas estão associados a um aumento da inflamação cerebral e a uma diminuição das Tregs. Entender como essas células reguladoras agem nas meninges pode levar a terapias direcionadas que promovam a neurogênese ou reduzam o declínio cognitivo", explica a pesquisadora Diane Mathis, da Harvard Medical School.
Apesar desse novo conhecimento, os cientistas enfatizaram que as informações atuais sobre como os imunócitos da meninge protegem a homeostase do cérebro em indivíduos saudáveis permanecem "escassas".
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