MADRID 13 fev. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo publicado na Nature Communications Earth and Environment oferece uma possível explicação para a subestimação da perda de gelo marinho e da formação de ciclones no Ártico.
Liderado por Steven Cavallo, professor da Escola de Meteorologia da Universidade de Oklahoma, o estudo pode levar a modelos meteorológicos e climáticos mais precisos e a uma melhor previsão de ciclones no Ártico.
Desde 1979, a extensão do gelo marinho do Ártico, um termo que descreve a área do Oceano Ártico coberta por gelo, diminuiu 40% nos meses finais do verão. Os modelos climáticos globais sempre subestimaram essa redução. O estudo examina o que Cavallo e seus coautores chamam de "eventos muito rápidos de perda de gelo marinho" ou VRILE. O declínio do gelo marinho desde 1979 é a soma de vários VRILEs que ocorrem individualmente em períodos de 5 a 18 dias.
A publicação de Cavallo sugere que os ciclones do Ártico são, pelo menos em parte, os culpados. Os ciclones do Ártico são fenômenos meteorológicos difíceis de prever e ainda mais difíceis de incorporar aos modelos. Embora os mecanismos exatos pelos quais esses ciclones podem acelerar a perda de gelo não sejam totalmente compreendidos, Cavallo sugere duas teorias. A primeira é a interação de mares turbulentos com o gelo.
"Se os ventos forem fortes e o gelo for fino o suficiente, [o ciclone] pode criar ondas que quebram os blocos de gelo maiores. Ao quebrá-los em blocos de gelo menores, o derretimento é acelerado; isso pode acontecer em uma escala de tempo muito rápida", disse ele em um comunicado.
A segunda teoria é que a ressurgência, a mistura de água mais quente abaixo da superfície do mar com água mais fria na superfície, aumenta as temperaturas que ajudam a derreter o gelo mais jovem e mais fino abaixo em um curto período de tempo.
As observações desses eventos e seus efeitos são difíceis. Os navios evitam as tempestades previstas, e uma aeronave não poderia voar em um ciclone ártico perto o suficiente da superfície do oceano para coletar dados sobre a ressurgência ou as interações entre ondas e gelo.
Cavallo diz que eles descobriram que os ciclones precisam estar no lugar certo para fazer uma diferença tão drástica na extensão do gelo marinho e que eles devem ocorrer em uma área de gelo fino que normalmente não tem mais de um ano de idade.
A pesquisa também sugere uma conexão entre os ciclones do Ártico e os vórtices polares da tropopausa, ou a circulação na troposfera superior sobre as regiões polares.
Cavallo disse que os vórtices polares da tropopausa às vezes estão presentes por meses antes da formação de um ciclone ártico, enquanto os ciclones árticos geralmente são previstos com vários dias de antecedência. Como os vórtices estão presentes muito antes de um ciclone, eles poderiam levar a melhores previsões de ciclones. Isso beneficiaria os residentes de áreas como o Alasca, o norte do Canadá e a Groenlândia e ajudaria o setor de transporte marítimo, que tem usado mais o Ártico à medida que o gelo continua a recuar.
ADECÇÃO À DINÂMICA ATMOSFÉRICA NO HEMISFÉRIO NORTE
"Agora que acreditamos que esses processos estão ocorrendo, a questão é como inserir essas informações nos modelos para que possamos obter previsões melhores", disse Cavallo. "É uma tarefa difícil." Cavallo diz que a comunidade científica em geral ainda não tem certeza de quando o Ártico ficará livre de gelo, mas que a iminente extinção do gelo pode afetar significativamente a dinâmica atmosférica em grande escala no Hemisfério Norte.
"Ainda estamos tentando descobrir exatamente como as mudanças no gelo marinho afetarão os eventos climáticos extremos que estão ocorrendo no momento", concluiu.
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