Publicado 18/02/2025 16:32

O Chile tomará medidas legais contra a Venezuela se for comprovado seu envolvimento na morte de Ronald Ojeda.

O Ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, durante uma entrevista para a Europa Press, em 18 de fevereiro de 2025, em Madri (Espanha). Gajardo é advogado e político membro do Partido Comunista do Chile (PCCh). Desde 11 de março de 2022, ele ocupa o ca
Diego Radamés - Europa Press

Defende a cooperação internacional para "cortar os tentáculos" de gangues criminosas como o Trem de Aragua

MADRID, 18 fev. (EUROPA PRESS) -

O ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, garantiu nesta quarta-feira que seu governo está preparado para tomar todas as medidas legais contra o regime venezuelano se for confirmada a hipótese do Ministério Público de que o vice-presidente venezuelano Diosdado Cabello ordenou o assassinato do dissidente Ronald Ojeda, ex-militar encontrado morto no Chile, onde gozava de status de asilado.

Gajardo explicou que, se a hipótese do Ministério Público sobre a autoria do crime for verdadeira, seria um ato "muito grave" que "implica o cometimento de um crime político em território nacional chileno, encomendado por uma alta autoridade de um governo estrangeiro".

Portanto, caso essas suspeitas sejam confirmadas, o governo chileno "vai exercer todas as ações que o sistema jurídico nacional e internacional tem à disposição", disse Gajardo durante uma entrevista à Europa Press na Embaixada do Chile, por ocasião de sua visita a Madri. "Exploraremos todos os caminhos possíveis, desde o Tribunal Penal Internacional até as reivindicações pertinentes", disse ele.

Além disso, o ministro Gajardo enfatizou a importância de "ser prudente" com relação ao caso, já que ele ainda está na fase judicial e os vínculos de Cabello com o caso são meramente conjecturais por parte do Ministério Público. "Acredito que o mais sério nisso tudo é a prudência", acrescentou o ministro da Justiça, que, no entanto, apóia as investigações "sérias" e "muito profissionais" da Promotoria.

As autoridades venezuelanas prenderam Ojeda em abril de 2017, juntamente com outros membros das forças armadas, por seu suposto envolvimento em uma suposta conspiração contra o presidente Nicolás Maduro. No entanto, no final daquele ano, Ojeda conseguiu escapar da prisão e se exilou no Chile, onde recebeu asilo político em 2023, enquanto na Venezuela foi acusado de traição.

As últimas informações sobre Ojeda datam de fevereiro de 2024, quando homens encapuzados fingindo ser policiais entraram em sua casa. Seu corpo foi encontrado dentro de uma mala enterrada sob uma estrutura de concreto no distrito de Maipú, nos arredores de Santiago. Além disso, o Ministério Público suspeita que o assassinato do dissidente pode ter sido ordenado pelo "número dois" chavista da célula "Los Piratas", um grupo criminoso formado por cerca de vinte pessoas acusadas de sequestro, assassinato e extorsão, entre outros crimes.

O caso de Ojeda apenas aprofunda a crise diplomática entre o Chile e a Venezuela, que já suspenderam seus laços após as eleições presidenciais venezuelanas de julho passado, nas quais o governo declarou a vitória de Maduro, enquanto a oposição reivindicou a vitória de seu candidato, Edmundo González, e denunciou irregularidades na recontagem.

O Chile, assim como outros países da região, rejeitou totalmente as aspirações de Maduro de conquistar uma posição no governo. Entretanto, embora Santiago não reconheça a atual liderança em Caracas, também não deu o passo de legitimar González como presidente eleito, algo que outros estados sul-americanos fizeram. Sobre isso, Gajardo insistiu que eles não podem reconhecer Maduro "como uma eleição legítima", mas que "outros caminhos" são algo a ser explorado no futuro.

COLABORAÇÃO INTERNACIONAL PARA "CORTAR OS TENTÁCULOS DAS GANGUES".

A visita do ministro Gajardo a Madri faz parte de uma viagem que também o levará à Itália, onde ele busca aprofundar a colaboração internacional e a cooperação em questões judiciais. No dia anterior, ele se reuniu com o Ministro da Justiça da Espanha, Félix Bolaños, com quem discutiu o tratado de Medellín, que serve para acelerar a cooperação jurídica internacional.

Uma das questões discutidas foi justamente o gerenciamento do sistema penitenciário, um assunto no qual o Ministro Gajardo estava particularmente interessado devido à presença de grupos criminosos internacionais no centro e no sul do continente americano, como a organização venezuelana Tren de Aragua. "Essa é precisamente uma das razões pelas quais estamos gerando essa cooperação internacional", disse ele.

"O crime organizado na América Latina e no mundo em geral é de natureza internacional e, portanto, a maneira de enfrentá-lo deve ser com cooperação e colaboração internacional. É muito difícil para um país isoladamente cortar completamente os tentáculos de gangues criminosas que operam sem respeitar as fronteiras nacionais", disse o Ministro da Justiça do Chile.

"Na América Latina, uma das características é que as gangues do crime organizado que operam na região são gangues que se fortaleceram ou cresceram nos sistemas penitenciários", reconheceu Gajardo, que também insiste que o objetivo é que o sistema penitenciário chileno facilite o rompimento dos laços entre os criminosos presos e seus contatos no exterior.

COMPROMISSO COM A MEMÓRIA DEMOCRÁTICA NO CHILE

Finalmente, quando perguntado sobre a recente ordem do judiciário para indenizar um sindicalista por torturas sofridas durante a ditadura militar de Augusto Pinochet, o Ministro Gajardo enfatizou a "posição clara" de seu governo sobre o assunto. "Parece-nos fundamental que os tribunais de justiça possam realizar essas investigações, que a verdade sobre o que aconteceu durante a ditadura possa ser encontrada", disse ele.

"Ressaltamos que a verdade, a justiça e a reparação das vítimas da ditadura são fundamentais, tanto para as famílias daqueles que foram detidos e desaparecidos, quanto para aqueles que foram submetidos à prisão política e à tortura", acrescentou o ministro, que reconheceu que o Chile, como sociedade, "levou muito tempo" para prestar contas e reparar os danos causados às vítimas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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