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O presidente brasileiro dá a entender que pode ser candidato para 2026.
MADRID, 14 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse na sexta-feira que não descarta a possibilidade de denunciar os Estados Unidos perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) se o presidente Donald Trump cumprir suas ameaças tarifárias.
Lula voltou a enfatizar sua ideia de agir de forma recíproca diante de qualquer imposição tarifária dos Estados Unidos, sem descartar a resposta de apresentar uma queixa na OMC, embora tenha ressaltado a necessidade de entendimento com um parceiro com mais de 200 anos de relações diplomáticas e comerciais.
"Temos uma relação muito igualitária. Eles importam 40 bilhões de dólares, nós importamos 45 bilhões de dólares deles, é o único país do mundo que tem superávit em relação ao Brasil. Queremos paz, não guerra", observou, mencionando a intenção dos Estados Unidos de aplicar tarifas ao aço brasileiro.
Lula insistiu que o Brasil não quer ter uma disputa internacional com nenhum país, mas agirá nos mesmos termos em relação aos Estados Unidos. "Se Trump se comportar dessa maneira conosco (...) haverá reciprocidade", comentou em uma entrevista na sexta-feira para a Rádio Clube do Pará.
Ele também confirmou que ainda não conversou com o presidente Trump, embora tenha minimizado a importância do assunto, dizendo que a relação entre os dois países é uma questão de "estados", não de indivíduos específicos. "Ele cuida dos Estados Unidos, eu cuido do Brasil", concluiu.
Embora tenha criticado o fato de que "a democracia não parece valer tanto" sob os Estados Unidos de Trump, depois de ter se colocado como seu defensor após a Segunda Guerra Mundial, agora ameaçando tarifas, expulsando milhões de pessoas, "a América para os americanos", ou tomando o Canadá, a Groenlândia ou o Canal do Panamá.
Por isso, Lula defendeu a "tranquilidade" como motor do progresso universal e que Donald Trump "não pode fazer o que quiser porque se suas ações afetarem outros países, eles vão reagir".
ELE NÃO DESCARTA A POSSIBILIDADE DE SER CANDIDATO EM 2026
Por outro lado, Lula garantiu que não descarta a possibilidade de se candidatar à reeleição em 2026, embora tenha esclarecido que ainda é "cedo" para tomar uma decisão, que dependerá, explicou, não apenas de seu estado de saúde, mas também da decisão tomada pelos partidos que o apoiam.
"É muito cedo para falar sobre as eleições de 2026. Se eu vou ser candidato ou não, depende do debate de muitos partidos políticos, da sociedade brasileira", disse Lula.
"Estou com 79 anos, tenho consciência disso, não posso mentir para ninguém, muito menos para mim mesmo. Se eu estiver com cem por cento de saúde, com a energia que eu tenho (...) se eu achar que é correto acreditar que eu posso ser candidato, eu posso ser, mas não é a minha prioridade agora", disse o presidente brasileiro.
Ao contrário de outros anos, as próximas eleições presidenciais no Brasil ainda não têm candidatos claros de qualquer substância política. Além da ambiguidade de Lula sobre sua possível participação em 2026, há a desqualificação do ex-presidente Jair Bolsonaro devido a seus problemas com a Justiça, que podem aumentar na próxima semana diante de uma previsível acusação de tentativa de golpe de Estado em 2022.
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