Europa Press/Contacto/Hector Adolfo Quintanar Pere
MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -
A ONG Anistia Internacional advertiu na quarta-feira que a "violncia implacável" no Haiti colocou mais de um milho de crianas e jovens nas mos de gangues criminosas, vítimas de todos os tipos de abusos, desde recrutamento forado, assassinato, sequestro e estupro.
Muitas crianas no Haiti esto tendo suas vidas destruídas", disse a Secretária Geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, em um novo relatório lanado na quarta-feira intitulado "Eu sou uma menina, por que isso aconteceu comigo? Ataques de gangues criminosas contra crianas no Haiti".
Desde o assassinato do presidente Jovenel Moise em julho de 2021, a violncia aumentou significativamente no sempre conturbado Haiti, cuja capital Porto Príncipe está em grande parte sob o controle de gangues criminosas, responsáveis por pelo menos 5.600 mortes somente no ano passado.
"As gangues criminosas causaram um sofrimento generalizado no Haiti. Elas ameaam, espancam, estupram e matam crianas. Elas cometeram vários abusos contra os direitos das crianas, incluindo o direito vida, educao e liberdade de movimento", denunciou Callamard.
Mais de um milho de crianas vivem em áreas controladas por gangues criminosas. "As crianas sofrem violaes diárias de seus corpos, mentes e coraes. O Haiti precisa de assistncia urgente para proteger as crianas e evitar novos ciclos de violncia", disse Callamard.
A Anistia destacou que as concluses desse relatório foram apresentadas antecipadamente s autoridades haitianas, que até agora no as comentaram, e censurou tanto o governo quanto a comunidade internacional pela falta de ao.
O Secretário Geral da Anistia protestou que "as crianas esto sendo roubadas de sua infncia (...) Expresses vazias de preocupao no so suficientes".
VIOLNCIA SEXUAL
A Anistia documentou cerca de 20 casos de meninas que sofreram violncia sexual nos últimos tempos por membros dessas gangues criminosas, que tornaram o estupro uma prática comum durante ataques a bairros e outros territórios controlados por gangues rivais.
Por sua vez, muitas dessas meninas foram estupradas a caminho da escola, estupradas por gangues, estupradas em suas próprias casas, engravidaram ou foram vítimas de explorao sexual. "Penso nisso e digo a mim mesma: 'Sou uma menina, por que isso aconteceu comigo'", pergunta uma das meninas com quem a ONG conversou.
A Anistia explicou que a situao dessas meninas é ainda mais agravada pela precariedade dos sistemas de saúde e segurana - "no há polícia", disse uma das vítimas que foi estuprada várias vezes - e até mesmo por leis restritivas, já que o aborto ainda é punido pela lei haitiana.
RECRUTAMENTO FORADO
Por outro lado, os jovens que foram forados a se juntar a essas organizaes criminosas concordam com a ONG que é impossível recusar sem arriscar a própria vida. "Se eu no tivesse feito isso, eles teriam me matado", diz um garoto de 12 anos que foi recrutado como informante.
No so apenas os meninos que so vítimas desse recrutamento, principalmente para atuar como espies, entregadores ou para realizar pequenos trabalhos para os membros da gangue, mas também as meninas, que geralmente so empregadas em tarefas domésticas.
Isso fez com que dezenas desses menores fossem mortos por gangues que os consideram membros plenos de outros grupos rivais.
Além disso, crianas so mortas ou feridas em ataques de gangues em territórios rivais. "As crianas so expostas tanto ao fogo indiscriminado quanto ao fogo direto", explicou a ONG, que alerta para os problemas de saúde mental resultantes dessa situao extrema.
Por todos esses motivos, Calamard solicitou um plano de ao conjunto da comunidade internacional para pr um fim efetivo aos graves problemas que o Haiti vem enfrentando há anos, embora a crise seja muito mais profunda e remonte a décadas.
Nesse sentido, ele pediu que o roteiro inclua um plano abrangente para proteger as crianas, incluindo programas de desmobilizao e integrao social, além de assistncia médica e jurídica completa. Além disso, o governo deve acelerar os processos judiciais para levar os responsáveis justia.
A Anistia também solicitou que o fluxo "macio" de armas para o Haiti fosse controlado, bem como a interrupo da deportao de haitianos "enquanto a campanha de terror das gangues criminosas e a crise mais ampla dos direitos humanos continuarem".
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático